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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Congresso geral palestino: "A Palestina é uma parte integrante da Síria"

File:Countries that reject Israeli passports.png
  Israel
  Países que rejeitam passaportes de Israel
  Países que rejeitam passaportes de Israel e qualquer outro passaporte que contenha selos ou vistos israelenses

Mapa que mostra os países árabes/muçulmanos que ainda boicotam o estado de Israel



Palestina é o nosso País!
A decisão do Congresso Geral Palestino

Na sexta-feira, 27 de fevereiro de 1920, às 3:00 da tarde, foi realizada uma reunião no clube árabe que incluiu delegados do Comitê Superior Nacional e do Congresso Geral Sírio e representantes do partido da independência árabe, Partido Nacional Sírio, União Síria, Pacto sírio, Pacto iraquiano, Partido Democrata, Associação da Revitalização Moral, clube árabe e os líderes das comunidades e tribos hourani, dandashli, karak, fadl, sakhur e circassianos e, finalmente, um grande número de líderes religiosos, advogados, jornalistas, comerciantes, estudantes do ensino médio, e chefes das corporações de Damasco.

Tendo considerado a situação Palestina, eles concordaram com os cinco pontos seguintes:

1. Confirmamos o que sempre dissemos: que a Palestina é uma parte integrante da Síria. Exigimos que assim deve continuar, e usaremos de todas as medidas até a última gota do nosso sangue e o último suspiro de nossas crianças para atingir esse objetivo.

2. Porque viemos de todas as partes da Síria, consideramos o perigo sionista a ser dirigido contra nós e contra a nossa existência política e econômica no futuro. Vamos, portanto, expulsar os sionistas com toda a nossa força. Se os aliados continuarem a deixá-los prosseguir com suas actividades nós vamos nos opor a eles de todas as formas possíveis...

Ó filhos árabes da Palestina:
A nação síria e as associações palestinas estão indignadas que os [aliados] tentem separar a Palestina de sua pátria, a Síria, sob o pretexto de estabelecer um governo nacional. Como podemos aceitar a vida de escravos para os judeus e estrangeiros e não defender os nossos direitos políticos e naturais? Levante sua voz, proteste contra esta traição e nunca temas as ameaças ou a intimidação... Se existe um homem dentre vós que, subornados por ouro ou honrarias, apoia o governo de ocupação, fique longe dele, boicote-o, e mostre-lhe seu desprezo, pois ele é um traidor de seu país e sua nação. Da mesma forma, boicote os judeus; nada compre deles e nada venda para eles. Boicote aqueles que os sustentam e os servem como subordinados...


Retirado do livro "The Israel-Palestine Conflict: One Hundred Years of War", James L. Gelvin (página 98)

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Ibn Khaldun II: A Palestina é a Síria e os judeus são os israelitas

A placa da esquerda diz: "Nós resistimos a imigração judaica", já a placa à direita diz: "A Palestina é parte da Síria" 


Ainda em seu Muqqadimah, Ibn Khaldun escreve:

Os israelitas são um bom exemplo. Moisés os exortou a ir para que se tornassem governantes da Síria. Ele lhes informou que Deus tinha feito este o seu destino. Mas os israelitas eram muito fracos para isso. Eles disseram: há gigantes naquele país, e não iremos até que os gigantes se vão.
Isto é, até que Deus os tire de lá manifestando Seu poder, sem a aplicação de nosso 'sentimento de grupo', e este será um de teus milagres, ó Moisés. E quando Moisés os exortou, eles persistiram e com rebeldia disseram: "Vá você mesmo e seu Senhor e lutem.
Além disso, eles realmente não acreditaram no que Moisés lhes disse, ou seja, que a Síria seria deles e que os amalequitas que estavam em Jericó seriam derrotados por eles, em virtude do decreto divino que Deus tinha feita em favor dos israelitas.
Capítulo II, 18 - Meekness and docility to outsiders that may come to be found in a tribe are obstacles on the way toward royal authority.




Os israelitas são os que mais se apegam a esta ilusão. Eles originalmente tiveram uma das maiores 'casas' do mundo, em primeiro lugar, por causa do grande número de profetas e mensageiros nascidos entre os seus antepassados, que se estendem desde Abraão até Moisés, o fundador do seu grupo e lei religiosa, e também por causa de seu sentimento de grupo e por causa da autoridade real que Deus lhes havia prometido e concedido através deste sentimento de grupo. Em seguida, foram despojados de tudo isso e sofreram humilhação e indigência. Eles estavam destinados a viver como exilados na terra. Por milhares de anos, eles só conheceram escravidão e incredulidade. Ainda assim, a ilusão [de nobreza] não os deixou. Eles ainda podem ser encontrados dizendo: "Ele é um Cohen (descendente de Arão)", "Ele é um descendente de Josué "," Ele é um dos descendentes de Calebe "," Ele é da tribo de Judá." Isto, apesar do fato de que a sua 'sensação de grupo' desapareceu e que, por muitos e longos anos, foram expostos a humilhação. 
Capítulo II, 12 - Only those who share in the group feeling (of a group) can have a "house" and nobility in the basic sense and in reality, while others have it only in a metaphorical and figurative sense.


As duas afirmações de Ibn Khaldun vão de encontro ao que diz a Autoridade Nacional Palestina e todos os países árabes...

domingo, 24 de novembro de 2013

Muqaddimah: Ibn Khaldun e Israel como a terra dos judeus

    Estátua de Ibn Khaldun em Túnis, na Tunísia



Abū Zayd 'Abdu r-Raḥmān bin Muḥammad bin Khaldūn Al-Ḥaḍrami (1332 - 1406) foi um historiador árabe-muçulmano e é considerado um dos pais da historiografia.

Ele é mais conhecido graças ao livro al-Muqaddimah (Prolegomena em grego), que serve como introdução ao primeiro livro de seu Kitab al-'Ibar ("a História do Mundo").
Nesse livro, além de simplesmente mencionar e descrever acontecimentos, ele tenta oferecer explicaçoes racionais -- os "comos" e os "por quês" envolvidos nos acontecimentos históricos por ele descritos. Ele também costumava fazer uso de fatos históricos para tentar provar suas idéias. E é aqui que este estudioso muçulmano, que morreu há quase 600 anos, tem algumas coisas importantes a dizer sobre os judeus e Israel.


Por exemplo, ao criticar o historiador e geógrafo shiíta al-Mas'udi na introdução de seu livro -- uma crítica onde o próprio Ibn Khaldun escorrega na matemática -- ele comenta:

... o território dos persas era muito maior do que o dos israelitas. Este fato é atestado pela vitória de Nabucodonosor sobre eles. Ele engoliu o seu país e ganhou controle completo sobre ele. Nabucodonosor também destruiu Jerusalém, sua capital política e religiosa.
E ele continua:
Agora, é sabido que o território [dos israelitas] não correspondia a uma área maior do que as províncias da Jordânia e da Palestina na Síria e do que a região de Medina e Khaybar em Hijaz.
No primeiro trecho ele confirma um fato histórico inegável: Israel era o território dos judeus e Jerusalém sua capital política e religiosa.
Já no segundo, ele afirma o mesmo que todos os árabes -- ao menos até a criação de Israel: Jordânia e Palestina eram apenas províncias da Síria, e não países com uma população com pretensões nacionalistas ou em busca de soberania e auto-determinação -- com exceção dos judeus.


No capítulo 3 ("On dynasties, royal authority, the caliphate, government ranks, and
all that goes with these things")
(31. Remarks on the words "Pope" and "Patriarch" in the Christian religion and on the word "Kohen" used by the Jews):

É por isso que os israelitas, depois [dos tempos] de Moisés e Josué, permaneceram desinteressados quanto a uma autoridade real por cerca de 400 anos. Sua única preocupação era estabelecer sua religião.
... Os israelitas desapossaram os cananeus da terra que Deus havia lhes dado como seu patrimônio em Jerusalém e nos arredores da região, como havia sido explicado a eles por meio de Moisés.
... As nações dos filisteus, cananeus, armênios[!], edomitas, amonitas e moabitas lutaram contra eles. Durante esse [tempo], a liderança política era confiada aos anciãos que estavam entre eles. Os israelitas permaneceram nessa condição por cerca de 400 anos.

Ele [Saul] derrotou as nações estrangeiras e matou Golias, o governante dos filisteus. Depois de Saul, Davi tornou-se rei, e, em seguida, Salomão. Seu reino floresceu e se estendeu para as fronteiras de Hijaz e para além das fronteiras do Iêmen e da terra dos romanos (bizantinos). Depois de Salomão, as tribos se dividiram em duas dinastias... Uma das dinastias era a das dez tribos na região de Nablus, a capital da Samaria** e a outra era a dos filhos de Judá e Benjamin em Jerusalém. Então, Nabucodonosor, rei da Babilônia, os privou de sua autoridade real. Ele primeiro [lidou com] as dez tribos em Samaria, e, em seguida, com os filhos de Judá em Jerusalém. Sua [dos israelitas] autoridade real teve uma duração ininterrupta de mil anos.
** depois da ocupação jordaniana (1948-1967) a Samaria biblica foi renomeada como Cisjordânia pelos árabes.



De acordo com Ibn Khaldun, a soberania judaica na Terra de Israel se estendeu por 1400 anos. Em nenhum momento, neste  ou em outros livros, o historiador árabe menciona um povo palestino ou nação palestina. Já Muqaddasi, outro historiador árabe (nascido na Palestina no século X) afirmava que os judeus eram mais numerosos em Jerusalém e que não havia congregação muçulmana na cidade.

Ibn Khaldun, obviamente, se baseia na narrativa corânica. Por esse motivo há várias afirmações que vão de encontro a narrativa bíblica -- como no caso de Golias como governante dos filisteus e não apenas como um guerreiro. Ele tende a usar a Bíblia como fonte apenas quando o Corão não relata casos similares -- caso da unção de Saul como rei. O Corão simplesmente diz que ele foi ungido por um profeta, então ele se baseia na Bíblia para afirmar que o rei de Israel foi ungido pelo profeta Samuel.

Livro completo (em inglês)

sábado, 16 de novembro de 2013

Carta de avô de Assad aos ocupantes franceses (1936) explica os problemas do Oriente Médio, prevê o massacre de minorias não-muçulmanas e defende sionistas

Segundo estimativas da ONU, o número de mortos na guerra civil síria já ultrapassou a casa dos 100.000 



Muitos caíram no conto da "primavera árabe". No caso da Síria, a propaganda mostra "rebeldes" que lutam contra o ditador Bashar al-Assad em busca de liberdade e democracia. O problema é que os rebeldes nunca quiseram democracia nenhuma... 
Assad e a oposição têm muito em comum. Além dos métodos cruéis e da sede de poder, ambos desprezam a democracia e querem impor ditaduras. Só discordam em um ponto: o tipo de regime que deve controlar o país. Assad quer manter sua ditadura laica e que se apóia nas minorias enquanto os rebeldes querem uma ditadura islâmica baseada na crença da maioria sunita. 

A Síria é uma espécie de síntese ou emblema de todas as questões que têm se mostrado até agora insolúveis no Oriente Médio, a começar por sua própria composição interna. Os Assad pertencem à minoria alauíta — 10% da população —, um ramo do xiismo odiado, igualmente, pela maioria sunita e pelos xiitas. São hoje parte da elite dirigente do país. A chance de que essa e outras minorias — como a cristã, por exemplo — venham a ser esmagadas é grande. 

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A carta abaixo é fascinante. Além de trazer a tona a raiz dos problemas do Oriente Médio, ela se cumpre como uma profecia e explica a razão pela qual a elite alauíta está disposta a lutar até o último homem para se manter no poder. Ela sabe que a única alternativa seria o seu extermínio -- os alauítas entendem a mentalidade de seus irmão muçulmanos e a forma como estes lidam com as minorias sob seu controle. 






Caro Sr. Leon Blum, primeiro-ministro da França

A luz das negociações que estão sendo realizadas entre a França e a Síria, nós - os líderes alauítas na Síria - respeitosamente trazemos os seguintes pontos a sua atenção e a de seu partido (os socialistas):

1. A nação alauíta [sic], que manteve sua independência ao longo dos anos as custas de muito zelo e de muitas mortes, é uma nação que é diferente da nação muçulmana sunita em sua fé religiosa, em seus costumes e em sua história. Nunca antes a nação alauíta (que vive nas montanhas na costa ocidental da Síria) esteve sob o domínio dos [muçulmanos] que governam as cidades do interior da terra.

2. A nação alauíta se recusa a ser anexada a Síria muçulmana, porque a religião islâmica é considerada a religião oficial do país e a nação alauíta é considerada como herética pela religião islâmica. Portanto, pedimos que você considere o destino assustador e terrível que aguarda os alauítas caso eles sejam forçosamente anexados a Síria quando esta estiver livre da supervisão do mandato, quando estará em seu poder implementar as leis que derivam de sua religião. (De acordo com o Islã, os heréticos têm como escolha a conversão ao Islã ou a morte)

3. Conceder independência a Síria e cancelar o mandato seria um bom exemplo dos princípios socialistas na Síria, mas o significado da independência total será o controle, por algumas famílias muçulmanas, da nação alauíta na Cilícia, em Askadron [a Faixa de Alexandretta, que os franceses tiraram da Síria e anexaram à Turquia em 1939] e nas montanhas Ansariyya [as montanhas no oeste da Síria, a continuação das montanhas do Líbano]. Mesmo havendo um parlamento e um governo constitucional, não haverá garantias de liberdade pessoal. Este controle parlamentar será apenas uma fachada, sem qualquer valor eficaz, e a verdade é que ele vai ser controlado pelo fanatismo religioso que terá como alvo as minorias. Será que os líderes da França querem que os muçulmanos controlem a nação alauíta e que joguem-na no seio da miséria?

4. O espírito de fanatismo e estreiteza mental, cujas raízes são profundas no coração dos muçulmanos árabes para com todos aqueles que não são muçulmanos, é o espírito que alimenta continuamente a religião islâmica e, portanto, não há esperança de que a situação vá se alterar. Se o mandato for cancelado, o perigo de morte e destruição será uma ameaça sobre as minorias na Síria, mesmo que cancelamento [do mandato] decrete a liberdade de pensamento e a liberdade de religião. Por isso, ainda hoje, vemos como os moradores muçulmanos de Damasco forçam os judeus que vivem sob seus auspícios a assinar um documento em que são proibidos de enviar alimentos para os seus irmãos judeus que estão sofrendo com o desastre na Palestina [nos dias da grande revolta árabe].
A situação dos judeus na Palestina é a mais forte e explícita evidência da militância islâmica e do tratamento dispensado aqueles que não pertencem ao islã. Esses bons judeus contribuíram para os árabes com civilização e paz, e estabeleceram prosperidade na Palestina sem tomar nada a força e sem prejudicar a ninguém. Ainda assim, os muçulmanos declaram guerra santa contra eles e nunca hesitaram em massacrar suas mulheres e crianças, apesar da presença da Inglaterra na Palestina e da França na Síria.
Portanto, um destino sombrio aguarda os judeus e outras minorias no caso de o mandato britânico ser abolido e da Síria muçulmana e da Palestina muçulmana serem unidas. Este é o objetivo final dos árabes muçulmanos.

5. Agradecemos a sua generosidade de espírito ao defender o povo sírio e seu desejo de conseguir sua independência, mas a Síria, no momento atual, está longe da grande meta que você aspira para ela, porque ela ainda está presa no espírito do feudalismo religioso. Nós não achamos que o governo francês e o Partido Socialista Francês vão concordar com a independência dos sírios, já que a sua implementação causará a subjugação da nação alauíta, colocando a minoria alauíta em perigo de morte e destruição. Não é possível que você concordará com o pedido da Síria (nacionalista) para anexar a nação alauíta à Síria, porque seus elevados princípios - se eles suportam a idéia de liberdade - não vão aceitar a situação em que uma nação (os muçulmanos) tenta sufocar a liberdade de outro (os alauítas), forçando a sua anexação.

6. Você pode achar necessário garantir condições que assegurem os direitos dos alauítas e de outras minorias no texto do Tratado (o Tratado franco-sírio, que define as relações entre os estados), mas nós enfatizamos a você que contratos não têm qualquer valor na mentalidade islâmica da Síria. Vimos isso no passado, com o pacto que a Inglaterra assinou com o Iraque, que proibia [os muçulmanos] iraquianos de assassinarem assírios e yazidis. A nação alauíta, que nós representamos, clama ao governo da França e ao Partido Socialista Francês, e pede-lhes para garantir a sua liberdade e independência dentro de suas pequenas fronteiras [um Estado alauíta independente]. A nação alauíta coloca seu bem-estar nas mãos dos dirigentes socialistas franceses, e é certo que vamos encontrar um apoio forte e confiável para nossa nação, que é um amigo fiel, que tem prestado à França um excelente trabalho, e agora está sob o ameaça de morte e destruição.

[Assinado por]

Aziz Agha al-Hawash, Mahmud Agha Jadid, Mahmud Bek Jadid, Suleiman Assad [avô de Bashar], Suleiman al-Murshid, Mahmud Suleiman al-Ahmad.