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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natal na Terra Santa em 1875


Peregrinos cristãos chegando na cidade de Belém em 1875 (Library of Congress)


A cidade de Belém desempenha um papel importante na fé cristã. Foi lá, os cristãos acreditam, o local onde Jesus nasceu cerca de 2.000 anos atrás, e é onde muitos deles celebram o seu nascimento no Natal.

Mas... quando é o Natal?
Belém abriga serviços de Natal para católicos e protestantes em 25 de dezembro. Já para coptas, gregos e sírios ortodoxos a celebração será na Igreja da Natividade, em 7 de janeiro. Para os  ortodoxos armênios o Natal será em 6 de janeiro.

O nome "Belém" é derivado do hebraico בית לחם -- Beith Leem/ Casa do Pão --, e seus campos de cereais são mencionados no Livro de Rute como o local onde ela conseguia trigo para a sua sogra Naomi, e onde conheceu seu futuro marido, Boaz. Ainda de acordo com a Bíblia, Daví, o bisneto de Rute, nasceu em Belém, cidade onde ele foi ungido como rei de Israel.



A Igreja da Natividade foi construída no ano de 339 pelo rei Constantino e sua mãe, Helena, sobre a gruta onde acredita-se ter sido o local de nascimento de Jesus. 
Ao longo da história, a igreja foi destruída/reconstruída por vários exércitos conquistadores --  persas, árabes, cruzados, mamelucos, otomanos e britânicos.

Até pouco tempo, Belém era considerada uma cidade tradicionalmente cristã. Construída em torno da basílica, o turismo sempre foi sua mais importante fonte de renda. Entretanto, nos últimos anos, a proporção de cristãos em Belém caiu de 75% em 1948 para 54% em 1967, e agora está em torno de apenas 15%. A cidade de Belém esteve sob controle jordaniano de 1948 até 1967 e, desde então, está sob controle da Autoridade Nacional Palestina.


Revisionismo palestino: em busca de uma história




O revisionismo histórico é a espinha dorsal do discurso político e acadêmico palestino. É assim que seus líderes tentam criar uma história "árabe palestina" e uma identidade própria, distinta do violento colonialismo da história árabe-islâmica no Levante.

Os árabes "palestinos" são uma criação recente e sequer existiam antes da criação da OLP em 1965. Um bom exemplo disso é a resolução 194 da ONU (1948) que trata dos refugiados que deixaram o local após a guerra que os países árabes  travaram contra Israel logo após sua independência: os refugiados não eram chamados de "refugiados palestinos", o que faria referência a uma identidade nacional, mas sim de "refugiados da palestina", referindo-se a geografia -- simplesmente o lugar de onde saíram.

Um dos métodos desta tentativa de criar uma história palestina é apresentar Jesus -- que de acordo com as escrituras cristãs era um judeu vivendo na terra da Judéia -- como um palestino, ao mesmo tempo em que o transformam em um profeta islâmico e se apropriam de conceitos cristãos.

 Jesus é um palestino; o abnegado Yasser Arafat é um palestino; Mahmoud Abbas, o mensageiro da paz na terra, é um palestino. Quão grande é esta nação da Santíssima Trindade! "
Al-Hayat Al-Jadida (Jornal oficial do Fatah e da Autoridade Palestina), 30 novembro 2012


Pois é, na "Santíssima Trindade" do jornal da Autoridade Palestina, Jesus é apenas Jesus. Já Arafat era "abnegado" e Mahmoud Abbas o "mensageiro da paz na terra"!



Jesus sendo comparado a terroristas palestinos presos em Israel







Líder religioso muçulmano diz que Jesus era um profeta islamico palestino

Jesus, o palestino

 
Jesus retratado como um terrorista suicida palestino


Eis que o Natal se aproxima, e junto com ele vem a já tradicional falsificação da história por parte da liderança árabe muçulmana, que apresenta Jesus como um árabe-cananeu-muçulmano-palestino (!).

No início de 2013, graças a um artigo no jornal oficial da Autoridade Palestina al-Hayat al-Jadida, o mundo inteiro descobriu que a história de Jesus "reflete a narrativa palestina". A manchete "A ressurreição de Jesus, a ressurreição do Estado" deixa claro que Jesus e a Autoridade Palestina são um, e que estão unidos para sempre - uma tentativa um tanto patética de convencer os cristãos (em plena Páscoa!) de que eles na verdade são muçulmanos e que o movimento sionista moderno roubou os "palestinos" de sua história.

Segundo o artigo, na verdade a "Páscoa é um feriado para o nacionalismo palestino, porque Jesus, que descanse em paz, é um cananeu palestino". O autor substituiu o Jesus judeu por um Jesus "palestino" -- mais adequado à propaganda árabe --, reescrevendo os Evangelhos que, logo em seus primeiros capítulos, falam dos registros genealógicos de Jesus e se referem ao seu local de nascimento como "Belém da Judéia".


 Depois que Jesus nasceu em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do oriente chegaram a Jerusalém (Mateus 2:1)
Enquanto a tradição cristã e os escritos históricos do período retratam Jesus como um judeu vivendo na terra da Judéia (um dos reinos dos judeus), a Autoridade Palestina diz que ela e seu povo são seus verdadeiros descendentes. Esta não é apenas uma distorção da história pessoal de Jesus como relatado nos escritos cristãos, é também um anacronismo: o imperador Adriano mudou o nome da Judéia/Israel para "Palestina", a fim de punir a nação judaica depois que estes se rebelaram contra os ocupantes romanos, 136 anos após o nascimento de Jesus.


al-Hayat al-Jadida e seu Jesus palestino

"A visita do Papa é uma oportunidade para a liderança palestina apresentar sua causa... para que Sua Excelência [o papa] assuma a sua responsabilidade política e religiosa para com o povo da Terra Santa, o povo árabe palestino, o povo do Messias [Jesus]."
Al-Hayat Al-Jadida (Fatah), 9 de maio de 2009

"Os palestinos estão acostumados ​​com mortes como esta. O sofrimento do primeiro palestino -- o Messias -- começou com a Última Ceia."
Al-Hayat Al-Jadida (Fatah), Abril 30, 2008

"O Cristianismo nasceu em nossos países árabes e o Messias [Jesus] é um palestino sírio, nascido em Nazaré."
Al-Hayat Al-Jadida (Fatah), outubro 28, 2006

"O Shahids (mártires) vão chorar: 'Nós balançamos as palmeiras ao lado de Senhora Terra e da Senhora do povo, a Virgem Maria, e com seu filho [Jesus], o primeiro shahid (mártir) palestino."
Al-Hayat Al-Jadida (Fatah), 17 de janeiro de 2005

"A aldeia palestina da Galiléia e de Kfar Kana se orgulham do fato de que [na aldeia] o messias palestino [Jesus] conseguiu transformar água em vinho."
Al-Hayat Al-Jadida (Fatah), 17 de janeiro de 2005

"Eles [os cristãos] lêem no livro sagrado [a Bíblia] o nome "Palestina" e os verdadeiros nomes [árabes] de nossas aldeias e cidades ... Não devemos esquecer que o Messias [Jesus] é palestino, o filho de Maria, a Palestina."
Al-Hayat Al-Jadida (Fatah), 18 de novembro de 2005



Mufti (autoridade religiosa islâmica) diz que Jesus era um profeta muçulmano palestino

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Igreja da Natividade, Belém, Israel (território sob controle da Autoridade Palestina)

Interior da Igreja da Natividade, Belém


O número de cristãos em Belém, cidade considerada o local onde Jesus nasceu, está diminuindo vertiginosamente. Em 1947, cerca de 75% da população da cidade era cristã, em 2000 cerca de 40%, agora são apenas 15%.
E, de acordo com algumas previsões, os últimos cristãos deverão deixar a cidade antes de 2025.

"Creio que em alguns dos vilarejos o número de cristãos é zero", disse à BBC Simon Azazian, integrante da Sociedade Bíblica Palestina. "Em Birzavit, por exemplo, 100% eram cristãos, depois (a porcentagem) caiu para 60%, agora são 40% e esse número continua baixando."
Alguns cristãos dizem que esse êxodo se deve ao fundamentalismo islâmico:
"Eles introduzem em nossa cultura e na nossa sociedade uma visão da religião que não tem nada a ver com o nosso contexto e nem com a nossa história", disse à BBC o sacerdote luterano Mitri Raheb.
"Isto não é apenas uma ameaça para a comunidade cristã palestina, mas também para toda a sociedade palestina, já que tentam nos mandar de volta para a Idade Média", acrescentou.

Outros cristãos ressaltam que a decisão de ficar em Belém ou ir embora depende de vários fatores.
"Depende da situação política, que afeta a situação econômica", afirmou George Sa'ada, da Igreja Ortodoxa Grega.
"Antes, estimulávamos os jovens a ficar e trabalhar aqui, mas agora, lamentavelmente, não podemos obrigá-los a ficar porque querem ganhar a vida. Se não tem oportunidade aqui, claro que vão emigrar e procurar uma vida melhor fora", explicou.
Alguns temem que, dentro de 15 anos, os únicos cristãos de Belém serão os milhares de peregrinos que chegam durante o período de Natal.


Um grande número de cristãos árabes participa do movimento nacionalista palestino; por isso, quando têm que explicar a redução da população cristã na Cisjordânia e em  Gaza, preferem apontar para as difilcudades criadas por Israel (único país no Oriente Médio onde a população cristã cresceu) no contexto  dessa já secular disputa política. Há uma razão para que evitem denunciar  a verdadeira causa do êxodo. É a mesma razão que impede o Vaticano de falar  publicamente sobre o assunto. E a mesma que faz com que organizações cristãs,  no Reino Unido, por exemplo, também se calem. A razão é que, no contexto  da situação dos direitos humanos que prevalece em todo o Oriente Médio  muçulmano, protestar contra o mau tratamento da minoria cristã, pensando com isso defendê-la, é o meio mais certeiro de assegurar a piora do tratamento que ela recebe.