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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Phillip Hitti: novas e mais duras leis anti-judaicas e anti-cristãs durante o reino dos abássidas

território conquistado pelo califado abássida (750 - 1258)



Com a queda dos omíadas (umayyad), a hegemonia Síria no mundo islamico se acabou, assim como os tempos de glória do país.
Os abássidas fizeram do Iraque o seu centro e de Kufah sua capital. A Síria se tornou apenas mais uma das províncias do califado abássida e, no século IX, novas leis anti-judaicas e anti-cristãs foram criadas.


Em 850 e 854, ele [al-Mutawakkil] reviveu a legislação discriminatória contra os membros das seitas toleradas [judeus e cristãos], complementando-a com novidades que faziam dela a mais rigorosa já emitida contra as minorias.  Cristãos e judeus foram ordenados a fixar imagens de demônios de madeira em suas casas, a nivelar seus túmulos com o solo, a usar roupas amarelas e andar somente em mulas e jumentos com selas de madeira marcados por duas bolas parecidas com uma romã na patilha (parte posterior) da cela.
 ...após os decretos de al-Mutawakkil muitas famílias cristãs da Síria emigraram ou aceitaram o Islã. Os convertidos foram motivados, principalmente, pelo desejo de escapar das dificuldades humilhantes e tributos e para adquirir prestígio social e influência política. 
páginas 154 - 155

De acordo com Phillip Hitti, foi durante o califado abássida que todo o "mundo semita" foi arabizado.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Jizya - tributando os infiéis


O retorno da jizya. Historicamente, os não-muçulmanos tinham de pagar tributo aos seus mestres islâmicos. Esta prática foi interrompida no século 20, graças à intervenção européia. Hoje ele está de volta graças à intervenção ocidental.



Notícias estão chegando que a Irmandade Muçulmana e os seus simpatizantes estão forçando os cerca de 15 mil cristãos coptas da aldeia de Dalga, no sul da província de Minya, a pagarem a jizya – o dinheiro, ou tributo, que os "povos do livro" (judeus e cristãos) conquistados, historicamente, tiveram que pagar aos seus senhores islâmicos "com submissão voluntária e sentindo-se subjugados" para salvaguardar a sua existência, conforme indicado no Corão, Surata 9:29.

Esse idéia está fundamentada no tradicional conceito de dhimma (lei de proteção), estendido pelos conquistadores muçulmanos a cristãos e judeus em troca de subordinação. Todavia, o francês Jacques Elul, autoridade no assunto, assinalou: "Devemos nos perguntar: protegidos de quem? Quando o ‘estrangeiro’ vive em países islâmicos, a resposta só pode ser: dos próprios muçulmanos".

Os povos submetidos à lei islâmica em geral tinham que optar entre morte e conversão, mas judeus e cristãos, como adeptos das Escrituras, tinham permissão, como dhimmis (pessoas protegidas), para praticar suas respectivas crenças. Entretanto, essa "proteção" pouco fez para garantir que ambos fossem bem tratados pelos muçulmanos. Pelo contrário, um aspecto integral do dhimma era que, por ser um infiel, tinha que reconhecer abertamente a superioridade do verdadeiro crente: o muçulmano.

Nos primeiros anos da conquista islâmica, o "tributo" (ou jizya) pago anualmente como um imposto individual simbolizava a subordinação dos dhimmi. Mais tarde, o status inferior de judeus e de cristãos foi reforçado por uma série de regulamentos que regiam a conduta dos dhimmis. Sob ameaça de morte, eles eram proibidos de zombar do Corão, do Islã ou de Maomé, ou criticá-los; de fazer proselitismo entre muçulmanos ou de tocar uma mulher muçulmana (embora um muçulmano pudesse ter uma não-muçulmana como esposa). Os dhimmis estavam excluídos de cargos públicos e do serviço militar e proibidos de portar armas. Não podiam montar cavalos ou camelos, construir sinagogas e igrejas mais altas do que as mesquitas, erguer casas maiores do que as dos muçulmanos ou beber vinho em público. Eram obrigados a vestir roupas que os distinguissem e não podiam rezar em voz alta – já que isso poderia ofender os muçulmanos. Eles também tinham que se humilhar publicamente perante os muçulmanos, por exemplo, cedendo-lhes sempre a passagem nas ruas. Tampouco lhes era permitido apresentar provas contra um muçulmano diante de um tribunal e seu juramento na corte islâmica era inaceitável. Para se defender, o dhimmi tinha que pagar um alto valor por testemunhas muçulmanas, o que o deixava com poucos recursos legais quando prejudicado por um muçulmano.

No início do século XX, o status do dhimmi em terras muçulmanas não melhorou de modo significativo. H.E.W. Young, vice-cônsul britânico em Mosul (no Iraque), escreveu em 1909: "A atitude dos muçulmanos com relação a cristãos e judeus é a de um senhor com seus escravos, a quem trata com uma certa tolerância senhorial, desde que se mantenham no seu devido lugar. Qualquer sinal de pretensão à igualdade é prontamente reprimido."

A coleta da jizya de não-muçulmanos foi interrompida no século 20, graças à intervenção européia. Hoje, a jizya e outras injustiças contra os cristãos no Oriente Médio – na Líbia, Egito, Síria e Iraque – voltaram precisamente graças à intervenção ocidental, neste caso, o apoio dos EUA de Obama para a Irmandade Muçulmana e suas ramificações jihadistas.

Agora que os ataques contra igrejas cristãs no Egito têm diminuído, a segunda fase da jihad – ou seja, lucrar com o medo e o terror causado na primeira fase – está se instalando: notícias estão chegando que a Irmandade Muçulmana e os seus simpatizantes estão forçando os cerca de 15 mil cristãos coptas da aldeia de Dalga, no sul da província de Minya, a pagar a jizya.
Segundo o Padre Yunis Shawqi , que falou ontem aos jornalistas do Dostor em Dalga, todos os coptas na aldeia, "sem exceção", estão sendo obrigados a pagar o tributo, assim como seus antepassados ​​fizeram quase 1.400 anos atrás, quando a espada do islã originalmente invadiu o Egito cristão. Ele disse que o "valor do tributo e a forma de pagamento variam de um lugar para outro na aldeia, de modo que, de alguns espera-se pagar 200 libras egípcias por dia, outros 500 libras egípcias por dia ..."

 Em alguns casos, aqueles que não podem pagar têm sido atacados, suas esposas e filhos espancados ou seqüestrados. Como resultado, cerca de 40 famílias cristãs já fugiram de Dalga , juntando-se à lista crescente de cristãos deslocados no Oriente Médio. 

 E o mesmo ocorre na Síria e no Iraque. "Rebeldes" foram recentemente à "loja de um homem cristão e deram-lhe três opções : tornar-se muçulmano, pagar 70 mil dólares americanos como um imposto que incide sobre os não-muçulmanos, conhecido como jizya, ou ser morto junto com sua família.
Androus de Mosul, no Iraque diz que recebeu um pedido semelhante por telefone. 'Porque vocês são infiéis, vocês tem que pagar jizya", ele lembrou o que lhe foi dito pelo o telefone. "Ou você paga jizya  ou vamos matar você ou o seu filho."

"Combatei aqueles que não crêem em Alá nem no último dia, que praticam o que foi proibido por Alá e Seu Mensageiro, e não reconhecem a religião da verdade, mesmo que sejam dos Povos do Livro, até que paguem a Jizya com submissão voluntária, e se sintam subjugados ". - Corão 09:29


E você, já pagou sua Jizya? 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Philip Hitti e o tratamento dispensado a cristãos sob domínio muçulmano


Philip Khuri Hitti (1886 - 1978), um cristão maronita nascido no Líbano,  foi um estudioso do Islã e  o responsável pela introdução do campo de estudos da cultura árabe nos Estados Unidos. Apesar de sua óbvia simpatia para com o pan-arabismo (algo não muito comum entre libaneses maronitas) e de seu anti-sionismo, ele oferece informações valiosas sobre a invasão árabe do Levante e a relação entre os conquistadores muçulmanos e outros grupos religiosos sob seu controle. 


Do seu livro A História da Síria (1956):
**Palestina e Jordânia eram províncias da Síria  [1]   [2]



A terceira classe consistia de membros de seitas toleradas que professavam religiões reveladas - cristãos, judeus e sabeus (sabianos)...  Na Arábia, no entanto, nenhum não-muçulmano era tolerado, exceto uma pequena comunidade judaica no Iêmen.

Este reconhecimento de seitas toleradas era condicionado ao desarmamento de seus devotos e a exigência de um pagamento de tributo (Jizya) por parte deles em troca de proteção muçulmana

Na Síria, os cristãos e os judeus eram geralmente bem tratados até o reinado de Umar II, o primeiro califa a impor restrições humilhantes sobre eles. Ele emitiu normas excluindo os cristãos de cargos públicos, proibindo que usassem turbantes e obrigando-os a cortar suas franjas, a vestir roupas diferentes e com cintas de couro, a montar [em animais] sem sela, a não construir locais de culto e a orar em voz voz baixa.

A pena para o assassinato de um cristão [pelas mãos] de um muçulmano, ele decretou, era apenas uma multa, e o testemunho de um cristão contra um muçulmano não era aceitável em um tribunal. Pode-se supor que esta legislação foi promulgada em resposta a demanda popular.


domingo, 1 de dezembro de 2013

Rob Roy, "cães, brutos, porcos e judeus!"



John MacGregor (Rob Roy) foi um explorador e filantropo escocês. Ele é considerado o criador das primeiras canoas a vela e o maior responsável pela popularização da canoagem como esporte na Europa e nos Estados Unidos. Em 1866 ele fundou o British Royal Canoe Club (RCC).

Em 1869 ele publicou um diário de viagem com relatos de suas aventuras no Egito, Siria e na Palestina.  Em uma de muitas conversas com árabes -- ao explicar um diálogo que incluía a frase "Cães, brutos, porcos, judeus!" -- ele observou que


os homens da Palestina chamam seus companheiros de "judeu" como o xingamento mais baixo e ofensivo de todos


sábado, 30 de novembro de 2013

François-René de Chateaubriand e os judeus oprimidos em Jerusalém (1806)

File:François-René de Chateaubriand by Anne-Louis Girodet de Roucy Trioson.jpg


François-René de Chateaubriand (04 de setembro de 1768 - 4 de julho 1848) foi um escritor, político, diplomata e historiador francês, e é considerado o fundador do romantismo na literatura francesa. Suas obras mais famosas são Génie du christianisme -- uma defesa da fé católica numa época em que grande parte da intelectualidade estava aderindo ao iluminismo e se virando contra a Igreja -- e Memórias de além-túmulo, uma autobiografía publicada postumamente, que se tornou seu livro mais conhecido. 

O visconde de Chateaubriand visitou a "Terre Sainte" (Terra Santa) em 1806, e essa viagem acabou virando um livro chamado Itinéraire de Paris à Jérusalem.
Seu relato de Jerusalém assemelha-se muito ao que Karl Marx viría a escrever algumas décadas mais tarde. Entre outras coisas, os dois desmentem a propaganda pró-árabe dos dias de hoje, que afirma  que havia uma convivência pacífica entre judeus e árabes antes do sionismo. 
Objet particulier de tous les mépris, il baisse la tête sans se plaindre; il souffre toutes les avanies sans demander justice; il se laisse accabler de coups ... Pénétrez dans la demeure de ce peuple, vous le trouverez dans une affreuse misère...
... rien ne peut l'empêcher de tourner ses regards vers Sion. Quand on voit les Juifs dispersés sur la terre, selon la parole de Dieu, on est surpris, sans doute; mais, pour être frappé d'un étonnement surnaturel, il faut les retrouver a Jérusalem; il faut voir ces légitimes maîtres de la Judée esclaves et étrangers dans leur propre pays: il faut les voir attendant, sous toutes les oppressions, un roi qui doit les délivrer. 
-- François-René de Chateaubriand, "Itinéraire de Paris à Jérusalem" página 315 - Bernardin-Béchet, edição de 1859


sábado, 16 de novembro de 2013

Carta de avô de Assad aos ocupantes franceses (1936) explica os problemas do Oriente Médio, prevê o massacre de minorias não-muçulmanas e defende sionistas

Segundo estimativas da ONU, o número de mortos na guerra civil síria já ultrapassou a casa dos 100.000 



Muitos caíram no conto da "primavera árabe". No caso da Síria, a propaganda mostra "rebeldes" que lutam contra o ditador Bashar al-Assad em busca de liberdade e democracia. O problema é que os rebeldes nunca quiseram democracia nenhuma... 
Assad e a oposição têm muito em comum. Além dos métodos cruéis e da sede de poder, ambos desprezam a democracia e querem impor ditaduras. Só discordam em um ponto: o tipo de regime que deve controlar o país. Assad quer manter sua ditadura laica e que se apóia nas minorias enquanto os rebeldes querem uma ditadura islâmica baseada na crença da maioria sunita. 

A Síria é uma espécie de síntese ou emblema de todas as questões que têm se mostrado até agora insolúveis no Oriente Médio, a começar por sua própria composição interna. Os Assad pertencem à minoria alauíta — 10% da população —, um ramo do xiismo odiado, igualmente, pela maioria sunita e pelos xiitas. São hoje parte da elite dirigente do país. A chance de que essa e outras minorias — como a cristã, por exemplo — venham a ser esmagadas é grande. 

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A carta abaixo é fascinante. Além de trazer a tona a raiz dos problemas do Oriente Médio, ela se cumpre como uma profecia e explica a razão pela qual a elite alauíta está disposta a lutar até o último homem para se manter no poder. Ela sabe que a única alternativa seria o seu extermínio -- os alauítas entendem a mentalidade de seus irmão muçulmanos e a forma como estes lidam com as minorias sob seu controle. 






Caro Sr. Leon Blum, primeiro-ministro da França

A luz das negociações que estão sendo realizadas entre a França e a Síria, nós - os líderes alauítas na Síria - respeitosamente trazemos os seguintes pontos a sua atenção e a de seu partido (os socialistas):

1. A nação alauíta [sic], que manteve sua independência ao longo dos anos as custas de muito zelo e de muitas mortes, é uma nação que é diferente da nação muçulmana sunita em sua fé religiosa, em seus costumes e em sua história. Nunca antes a nação alauíta (que vive nas montanhas na costa ocidental da Síria) esteve sob o domínio dos [muçulmanos] que governam as cidades do interior da terra.

2. A nação alauíta se recusa a ser anexada a Síria muçulmana, porque a religião islâmica é considerada a religião oficial do país e a nação alauíta é considerada como herética pela religião islâmica. Portanto, pedimos que você considere o destino assustador e terrível que aguarda os alauítas caso eles sejam forçosamente anexados a Síria quando esta estiver livre da supervisão do mandato, quando estará em seu poder implementar as leis que derivam de sua religião. (De acordo com o Islã, os heréticos têm como escolha a conversão ao Islã ou a morte)

3. Conceder independência a Síria e cancelar o mandato seria um bom exemplo dos princípios socialistas na Síria, mas o significado da independência total será o controle, por algumas famílias muçulmanas, da nação alauíta na Cilícia, em Askadron [a Faixa de Alexandretta, que os franceses tiraram da Síria e anexaram à Turquia em 1939] e nas montanhas Ansariyya [as montanhas no oeste da Síria, a continuação das montanhas do Líbano]. Mesmo havendo um parlamento e um governo constitucional, não haverá garantias de liberdade pessoal. Este controle parlamentar será apenas uma fachada, sem qualquer valor eficaz, e a verdade é que ele vai ser controlado pelo fanatismo religioso que terá como alvo as minorias. Será que os líderes da França querem que os muçulmanos controlem a nação alauíta e que joguem-na no seio da miséria?

4. O espírito de fanatismo e estreiteza mental, cujas raízes são profundas no coração dos muçulmanos árabes para com todos aqueles que não são muçulmanos, é o espírito que alimenta continuamente a religião islâmica e, portanto, não há esperança de que a situação vá se alterar. Se o mandato for cancelado, o perigo de morte e destruição será uma ameaça sobre as minorias na Síria, mesmo que cancelamento [do mandato] decrete a liberdade de pensamento e a liberdade de religião. Por isso, ainda hoje, vemos como os moradores muçulmanos de Damasco forçam os judeus que vivem sob seus auspícios a assinar um documento em que são proibidos de enviar alimentos para os seus irmãos judeus que estão sofrendo com o desastre na Palestina [nos dias da grande revolta árabe].
A situação dos judeus na Palestina é a mais forte e explícita evidência da militância islâmica e do tratamento dispensado aqueles que não pertencem ao islã. Esses bons judeus contribuíram para os árabes com civilização e paz, e estabeleceram prosperidade na Palestina sem tomar nada a força e sem prejudicar a ninguém. Ainda assim, os muçulmanos declaram guerra santa contra eles e nunca hesitaram em massacrar suas mulheres e crianças, apesar da presença da Inglaterra na Palestina e da França na Síria.
Portanto, um destino sombrio aguarda os judeus e outras minorias no caso de o mandato britânico ser abolido e da Síria muçulmana e da Palestina muçulmana serem unidas. Este é o objetivo final dos árabes muçulmanos.

5. Agradecemos a sua generosidade de espírito ao defender o povo sírio e seu desejo de conseguir sua independência, mas a Síria, no momento atual, está longe da grande meta que você aspira para ela, porque ela ainda está presa no espírito do feudalismo religioso. Nós não achamos que o governo francês e o Partido Socialista Francês vão concordar com a independência dos sírios, já que a sua implementação causará a subjugação da nação alauíta, colocando a minoria alauíta em perigo de morte e destruição. Não é possível que você concordará com o pedido da Síria (nacionalista) para anexar a nação alauíta à Síria, porque seus elevados princípios - se eles suportam a idéia de liberdade - não vão aceitar a situação em que uma nação (os muçulmanos) tenta sufocar a liberdade de outro (os alauítas), forçando a sua anexação.

6. Você pode achar necessário garantir condições que assegurem os direitos dos alauítas e de outras minorias no texto do Tratado (o Tratado franco-sírio, que define as relações entre os estados), mas nós enfatizamos a você que contratos não têm qualquer valor na mentalidade islâmica da Síria. Vimos isso no passado, com o pacto que a Inglaterra assinou com o Iraque, que proibia [os muçulmanos] iraquianos de assassinarem assírios e yazidis. A nação alauíta, que nós representamos, clama ao governo da França e ao Partido Socialista Francês, e pede-lhes para garantir a sua liberdade e independência dentro de suas pequenas fronteiras [um Estado alauíta independente]. A nação alauíta coloca seu bem-estar nas mãos dos dirigentes socialistas franceses, e é certo que vamos encontrar um apoio forte e confiável para nossa nação, que é um amigo fiel, que tem prestado à França um excelente trabalho, e agora está sob o ameaça de morte e destruição.

[Assinado por]

Aziz Agha al-Hawash, Mahmud Agha Jadid, Mahmud Bek Jadid, Suleiman Assad [avô de Bashar], Suleiman al-Murshid, Mahmud Suleiman al-Ahmad.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Sinagoga Maimônides, Alexandria, Egito

Sinagoga Maimônides, Alexandria, Egito

Moisés Maimônides foi um filósofo, rabino, legislador e médico. Apesar de ter nascido no mítico paraíso multicultural de al-Andalus (a Península Ibérica sob domínio muçulmano), ele teve que fugir aos treze anos por conta de perseguições religiosas. Durante mais de uma década sua família vagou pelo sul da Península Ibérica e norte da Africa em busca de um local seguro, até encontrar refúgio no Egito, sob domínio do curdo Saladino.

Quando o sultão Saladino assumiu o poder, no fim do século XII, houve uma revolta dos muçulmanos xiitas contra ele e, ao mesmo tempo, a população judaica do Iêmen foi perseguida e houve tentativas de conversão forçada. Além disso, um judeu convertido ao Islã passou a pregar contra os judeus e um falso messias apareceu. A moral do povo judeu estava acabada. Vendo isso, um estudioso iemenita escreveu a Maimônides pedindo ajuda. Ele respondeu em diversas cartas que ficaram conhecidas como Iggeret Teiman (Epístola ao Iêmen). Em um trecho das cartas Maimônides escreve: 

"... Por causa dos nossos pecados Deus nos colocou no meio deste povo, da nação de Ismael [isto é, os muçulmanos], que nos perseguem severamente e que elaboram maneiras de nos prejudicar e de nos humilhar .... Nenhuma nação foi mais prejudicial a Israel. Nenhuma conseguiu igualar a degradação e a humilhação que eles nos impingiram. Ninguém foi capaz de nos reduzir como eles têm feito .... Nós temos suportado a degradação, suas mentiras e seus absurdos, que estão além do poder humano suportar .... Nós fizemos como nossos sábios - de abençoada memória - nos instruíram, suportando as mentiras e absurdos de Ismael .... mas apesar de tudo isso, não somos poupados de sua ferocidade, de suas iniqüidades e de seus repentinos ímpetos violentos. Pelo contrário, quanto mais sofremos e tentamos nos conciliar com eles, mais eles optam por nos agredir."

Essa é uma afirmação extremamente forte, ainda mais considerando que Maimônides sabia da violência antijudaica das cruzadas.

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Há alguns dias atrás, foi descoberto que o muçulmano encarregado de guardar a sinagoga da foto, que leva o nome de Maimônides - e onde ele rezava antes de se mudar para cidade de Fostat (Cairo) - se apossou da propriedade e que impede o acesso dos verdadeiros donos.

Muslim caretaker takes over Alexandria community  

domingo, 4 de março de 2012

Dawood Hosni (1870 – 1937)



Dawood Hosni, cujo nome hebraico era David Khadr Hayyim Halevi, nasceu em 1870 e foi criado no Cairo, Sanadekeya, no distrito de Gamalia.

Com suas composições ele superou seus antecessores e contemporâneos e elevou o padrão da música oriental a alturas nunca antes alcançadas.
Ele foi o primeiro compositor no Oriente Médio a compor uma ópera – Sansão e Dalila – em árabe. Sua apresentação no teatro foi considerada pelos críticos da época como "um evento único na história da música árabe".

Em 1906, ele recebeu o primeiro prêmio no Congresso Musical em Paris, pela composição de sua famosa canção أسير العشق. Já em 1932, durante a Convenção de Música realizada no Cairo, ele foi saudado como o construtor de uma “herança imortal na arte musical egípcia”.

Mas nem todas as distinções e sua importância no cenário cultural do país impediram Dawood de sofrer com o anti-semitismo egípcio. A seguinte conversa, entre ele e seu amigo Tal'at Harb, se deu quando falavam sobre a possibilidade de Hosni dirigir o teatro egípcio:

Tal'at: Você sabe, Dawood, o quanto eu queria que você fosse responsável pelo teatro, mas ya khusartak fi'l Yahud (é uma pena que sejas judeu).   

Hosni: Tal'at, eu nasci judeu, levo uma vida judaica e morrerei um judeu...

Mourad El Kodsi (Murad Al-Qudsi), Just for the Record-- In the History of the Karaite Jews of Egypt in Modern Times, Wilprint inc., 2002, p.218.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Muro das Lamentações, Jerusalém, Israel



Judeus rezando no Muro das Lamentações no ano de 1889


Em 1854, antes mesmo do início do movimento sionista (sua primeira convenção foi no ano de 1897), a população judaica da Palestina já era de dezenas de milhares. De acordo com o censo Otomano, como reportado por Marx, a maioria da população de Jerusalém era judia já em 1844.
Como sabemos, Karl Marx não demonstrava nenhum apreço por suas origens judaicas (seus pais eram judeus convertidos ao protestantismo). No seu "A questão judaica" (1843) ele é tão virulentamente anti-judeu que até anti-semitas austríacos costumavam republicar seus escritos.
Já em cartas endereçadas a Engls ele se referia aos seus oponentes com origens judaicas em termos tão odiosos que hoje o levariam a prisão. Apesar de tudo isso, em um artigo escrito em 1854, após uma viagem para a Palestina sob o domínio do Império Turco Otomano, Marx focou sua atenção na vida dos judeus da Terra Santa. Curiosamente, esse artigo parece ser o único momento de sua vida em que ele demonstra alguma empatia para com os judeus:

Os muçulmanos, formando cerca de quarta parte do todo, e constituídos por turcos, árabes e mouros, são, naturalmente, os mestres em todos os aspectos, já que eles não são afetados de forma alguma pela fraqueza de seu governo em Constantinopla. . . Nada se compara a miséria e ao sofrimento dos judeus em Jerusalém, onde habitam o bairro mais sujo da cidade, chamado de  Hareth-el-yahoud, este quarteirão de imundice entre o Monte Sião e o Monte Moriá , onde estão situadas suas sinagogas eles são os objetos constantes da opressão e intolerância dos muçulmanos, insultados pelos gregos, perseguidos pelos latinos e vivendo apenas das escassas esmolas enviadas pelos seus irmãos europeus.

Publicado no New York Daily Tribune em 15 de abril de 1854. Ver Marx/Engels, Collected Works, Volume 13 (1980), pp. 100-108. A passagem citada aparece nas páginas 107-108.


Na continuação Marx ainda informa, baseado no censo conduzido pelo imperio Otomano, que a população de Jerusalém era de 15.500 habitantes - 8.000 judeus e 4.000 muçulmanos (incluídos aí árabes, mouros e turcos).


Desde então os judeus sempre formaram a maioria da população da cidade - inclusive na parte oriental, de onde só saíram como refugiados depois da ocupação de Jerusalém pela Jordânia (1948-1967), quando a maioria de suas propriedades foi ocupada por árabes.

http://en.wikipedia.org/wiki/Islamization_of_Jerusalem_under_Jordanian_occupation