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sábado, 11 de janeiro de 2014

Sharon, a paz, a segunda intifada e a "esplanada das mesquitas"


Ariel Sharon em visita ao Monte do Templo no ano 2000


Em outubro de 2000 tudo indicava que finalmente os líderes de Israel e dos árabes-palestinos chegariam a um acordo de convivência que levaria à coexistência pacífica entre o Estado judeu e um segundo Estado palestino a ser proclamado em Gaza e na Cisjordania. As delegações chefiadas pelo primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, reunidas em Camp David com a delegação americana, chefiada pelo então presidente Bill Clinton, tinham sobre a mesa a ousada proposta de Barak, concedendo aos palestinos quase todas as suas reivindicações: 95% dos territórios "ocupados" (e negociações para acertos de fronteira e troca de territórios de acordo com a situação demográfica e as questões de segurança), um regime especial para Jerusalém, que permitisse, sem dividir a cidade, que os palestinos lá tivessem sua capital, desocupação da maior parte das colônias judaicas, acordos de cooperação econômica que viabilizariam o novo Estado a ser proclamado e todos os detalhes redundantes dessa postura básica.

Surpreendentemente, no último momento, Arafat recuou, rejeitou a proposta e deu início à intifada, que se alegou ser uma reação de revolta palestina ante uma visita "provocadora" de Ariel Sharon ao monte do Templo -- o local mais sagrado para o judaísmo, onde foi construído o Templo de Salomão (a imprensa brasileira se recusa a noticiar este fato, e se refere ao local simplesmente como "esplanada das mesquitas", repetindo a narrativa islamica e negando qualquer ligação dos judeus com o local). 

Quanto a acusação de que a visita de Sharon foi a responsável pela intifada... isso é algo que até os próprios árabes -- mas não a imprensa ocidental, claro! --  admitem ser uma mentira:


"Quem quer que pense que a intifada começou como resultado da desprezível visita de Sharon à mesquita de al-Aqsa está errado. Essa foi apenas a última gota que acabou com a paciência do povo palestino. 
A intifada já estava planejada desde o retorno do presidente Arafat de Camp David [nos EUA, onde se discutia a paz], onde o Arafat resistiu ao presidente Clinton e rejeitou os termos do acordo no coração da América."


Por que sua recusa? O que Arafat realmente queria? Como ele nunca declarou explicitamente o que quer (nas negociações, os palestinos se limitaram a fazer exigências e recusar propostas), resta especular sobre algumas possibilidades:


a) Arafat não conseguiu reunir coragem ou vontade para vencer as pressões dos grupos palestinos mais radicais, que recusam a paz e a convivência com Israel. Mesmo percebendo a oportunidade, não quis arriscar o que Barak arriscou: enfrentar sua própria gente e convencê-la de que só com concessões mútuas poder-se-ia construir uma solução que fosse o início de um processo de paz verdadeiro.



b) Arafat não quis aceitar uma solução a não ser em seus próprios termos e com a satisfação de 100% de suas exigências. Diante de uma proposta de conciliação irrecusável, as únicas alternativas são aceitá-la ou romper a negociação, exatamente para não ter de aceitá-la. A entrega de praticamente todos os territórios, a partilha de Jerusalém como capital, o estabelecimento de outro Estado palestino, a cooperação econômica, seriam o máximo de concessões exigíveis de Israel já no início do processo de convivência pacífica. 
O medo de um resultado negociado que exigiria compromissos dos palestinos pode ter sido o que levou Arafat a partir para o confronto, na tentativa de obter, sem se comprometer com nada, mais do que estava a seu alcance com uma simples assinatura. A exigência de última hora de Arafat, que ele sabia muito bem não poder jamais ser aceita por Israel, foi a "volta de 3 milhões de refugiados" palestinos, não ao futuro Estado palestino, mas para dentro do Estado de Israel, o que parece induzir a próxima alternativa.

c) Os palestinos nunca quiseram realmente uma paz definitiva com Israel e, na verdade, nunca teriam abandonado seu objetivo estratégico de acabar com Israel como Estado judeu. Para isso, como está definido na Carta Palestina, as negociações e o Estado palestino seriam apenas uma etapa. A possibilidade de um Estado palestino com compromissos de paz e reconhecimento de Israel seria uma ameaça a esse princípio. Fortes indícios dessa possibilidade transparecem da exigência de última hora em Camp David: cerca de 3 milhões de palestinos (supostamente, os descendentes dos 600.000 palestinos que saíram de suas casas e foram para o exílio durante a Guerra de Independência de Israel) deveriam "retornar", não ao Estado palestino, mas ao Estado de Israel. O objetivo, claramente, não era fortalecer o novo Estado a ser criado, mas debilitar o caráter judaico de Israel. Uma população de 4.200.000 palestinos, ante menos de 5 milhões de judeus, poderia levar, em pouco tempo, pela via demográfica, ao "fim do Estado sionista", como consta nos programas e nas estratégias palestinas.
Qualquer que tenha sido o motivo – ou os motivos – de Arafat, ele desencadeou a intifada e a violência quando tinha ao seu alcance a realização de praticamente todos os seus objetivos pelo caminho do acordo e da convivência.


...Quando dizemos que a solução deve ser baseada nessas fronteiras [de 1967], o presidente [Abbas] entende, nós entendemos e todos sabem que o "objetivo maior" não pode ser alcançado de uma vez só. Se Israel se retirar de Jerusalém, retirar 650.000 colonos e desmantelar o muro... o que será de Israel? O país acabará.

Quem está nervoso e irritado agora? Netanyahu, Lieberman, Obama... todos esses vermes.
... Nós deveríamos nos alegrar em ver Israel perturbado.
Se alguém disser que quer "varrer" Israel... é muito difícil. Não é [uma política] aceitável dizer isso. Não diga essas coisas ao mundo, guarde consigo. 
Eu quero as resoluções que todos concordam. Eu digo para o mundo, para o quarteto e para os EUA: vocês prometeram e se transformaram em mentirosos.



quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Dois estados é uma solução? Ou: Hudna, é possível negociar com o Islã?


 A solução dos dois estados não deve ser encarada com uma ideologia ou um mantra, mas como uma fórmula que deve ser julgada de acordo com a sua aplicabilidade prática.
 Itzhak Rabin e Yasser Arafat apertam as mãos durante o fracassado acordo de Oslo: para os tolos israelenses a paz, para os muçulmanos apenas mais um passo na destruição de Israel


As negociações de paz no Oriente Médio são um exemplo muito claro do que se chama 'guerra assimétrica' -- no caso negociações assimétricas: Israel quer e precisa de paz, o Islã não quer e nem precisa de paz. Pelo contrário, as negociações de seu lado são apenas um engodo permanente para desviar a atenção de seu real objetivo: a destruição do que eles chamam entidade sionista e a expulsão dos judeus de sua terra.


Entrevista com Abbas Zaki (um dos líderes do 'moderado' Fatah e da Autoridade Palestina) em um canal por satélite sírio, 23 de dezembro de 2013:


Apresentador da TV síria: "Quando eles falam sobre [os EUA] impor uma solução, sabemos que vai ela ser deficiente."

Membro do Comitê Central do Fatah, Abbas Zaki: "Você pode relaxar. Encontramo-nos unidos pela primeira vez. Até mesmo os mais radicais entre nós -- o Hamas ou as forças de combate -- querem um Estado dentro das fronteiras  de 1967. Depois nós teremos algo a dizer, porque a idéia inspiradora não pode ser alcançada de uma vez, [ao contrário, deve ser] em etapas."


Ao se referir ao "processo de paz" ou a panacéia pacifista da vez para o conflito entre o Estado de Israel e os grupos terroristas palestinos, nossa mídia mascarada tem evitado usar o termo Hudna, o lado palestino (árabe-muçulmano) da pantomima. 

E o que vem a ser isso? Hudna é uma palavra árabe que serve para designar aquilo que qualquer general conhece e que todo adversário preparado recusa e aproveita para atacar. Mas como foi um termo utilizado pelo profeta Maomé,  adquire uma espécie de aura respeitosa (ao menos para muçulmanos...) que aumenta o despistamento.

O termo é geralmente traduzido na imprensa ocidental como trégua de duração temporária pré-determinada -- nos jornais em inglês o seu equivalente é Truce -- para entabular negociações visando a paz. Mas esta tradução deixa de lado o significado religioso, histórico e mesmo o sentido atual dado ao termo pelos chefes das quadrilhas de guerrilheiros e terroristas islâmicos.

O Profeta Maomé, então exilado em Medina, era constantemente ameaçado pelos membros de sua tribo coraixita, que controlavam Meca (a cidade mais sagrada para os árabes) e não reconheciam sua liderança espiritual nem aceitavam seu monoteísmo. Após várias escaramuças, no ano de 628, Maomé ofereceu-lhes paz, prometendo a segurança de suas caravanas em troca da permissão de realizar os ritos de peregrinação anual à Caaba (1). 

Os coraixitas responderam que um ano de paz deveria preceder o acordo. Maomé declarou então uma trégua -– que denominou hudna -- de 10 anos, conhecida como acordo de Hodaibiah. Para consolar seus guerreiros o profeta muçulmano atacou e saqueou os judeus de khaibar em sua colônia a nordeste de Medina: noventa e três foram chacinados e os demais, para sobreviver, entregaram suas propriedades e metade de suas futuras colheitas.

Durante os dois anos seguintes, Maomé aproveitou a Hudna para reforçar seu exército e, como mestre do despistamento que era, usou a desculpa de uma infração menor qualquer cometida pelos coraixitas para lançar um ataque devastador, com um já considerável exército de 10.000 homens, e retomou Meca.

Este é o verdadeiro significado da hudna: acenar falsamente com uma trégua que não serve para o fim expresso –- preparar a paz -– mas para o fim secreto de descansar, reforçar e ampliar suas forças quando a situação é desesperadora e a derrota está próxima.

Historicamente este tem sido sempre o sentido dado pelas forças árabes em luta: acumular forças para o próximo round. Não é mais do que uma trapaça, “veneno com cobertura de mel”, como disse Gideon Meir, um antigo vice-ministro do exterior de Israel.


O PAPEL DA HUDNA NO ATUAL CONFLITO



Numa entrevista na TV Palestina, Abd Al-Malek, membro árabe do parlamento de Israel (é, lá no “território ocupado pelos sionistas” tem disto!), ao responder a uma afirmativa de um expectador de que “nosso problema com Israel não é um problema de fronteira, mas de existência...”, disse: “É, nós exageramos quando falamos de ‘paz’ .... quando o que nós realmente queremos dizer é Hudna”. E é aqui que vem o “pulo do gato” que quem entende árabe já percebeu há muito: quando as autoridades palestinas falam em seu idioma para seu próprio povo, e não nas entrevistas em Inglês em fóruns internacionais, eles usam Hudna e deixam claro que não há nenhuma paz em vista, mas apenas um cessar-fogo temporário que, além da finalidade tradicional já exposta, tem outra: a de iludir a tal “comunidade internacional”. 



Todos os acordos assinados por eles são pura farsa, e conseguem enganar direitinho aos trouxas que neles acreditam -- com direito até a Prêmio Nobel da Paz. Assim foi em 1994, quando Yasser Arafat explicou, em árabe, para os palestinos, que os acordos de Oslo eram uma Hudna no caminho para Jerusalém. 

Aqui vemos Yasser arafat explicando o motivo de ter assinado os Acordos de Oslo: 'Hudaybiya'



Depois, em 2000, seguindo o próprio profeta, seu mestre de despistamento, e usando como pretexto a visita de Ariel Sharon ao Monte do Templo (o lugar mais sagrado para o judaísmo, que os muçulmanos chamam de Esplanada das Mesquitas) criou a tal da "pequena infração inimiga" quebrando a Hudna e se lançando à nova guerra, conhecida como Segunda Intifada, ou Intifada de al-Aqsa.



O acordo de Hodaibiah é sempre mencionado como modelo para todo e qualquer ato de cessar-fogo assinado pelas autoridades, e compreendido como parte de um processo estratégico final: a libertação da "Palestina" e a expulsão dos judeus para o mar. Estes acordos são sempre assinados quando o balanço de força do momento está desfavorável às suas hostes.



ALGUNS EXEMPLOS DA “SINCERIDADE” PALESTINA – EM ÁRABE, EVIDENTEMENTE



Ministro do Abastecimento da Autoridade Palestina (AP), Abd El-Aziz Shahian: 

“Oslo é apenas o primeiro passo na destruição de Israel, não um acordo permanente”.


Pregador Dr Ahmed Yousuf Abu Halbiah, da AP: 
“A Nação Palestina é a vanguarda de Allah contra os Judeus, até a ressurreição dos mortos (...) até que o destino de Allah seja cumprido”.

Othman Abu Arbiah, assessor político e educacional de Arafat: 
”O Estado Palestino com capital em al-Quds (Jerusalém, em Árabe) é apenas o primeiro estágio (...) na destruição dos colonizadores sionistas”.

Sheik Yousuf Abi Snina, pregador da mesquita al-Aqsa:
“A terra Palestina é terra Waqf que pertence aos fiéis do Islam desde o início dos tempos e ninguém tem o direito de (...) fazer concessões ou de abandona-la. (...) São traidores e criminosos que merecem o Inferno todos os que aceitam a existência de Israel, que inclui ceder Haifa, Lod, Nazareth e Ashkelon”. No mesmo sermão concede a Arafat um Selo de Aprovação Shariático (Lei Islâmica) para estabelecer uma hudna.

Salim Alwadia Abu Salem, supervisor para assuntos políticos da AP: 
“Quando nós pegamos em armas em 1965 e teve início a moderna revolução Palestina, nós tínhamos um único objetivo, que não mudou e não mudará nunca: a libertação da Palestina (da ocupação sionista)”.


Os milhares de exemplos são todos repetição ad nauseam da mesma cantilena.


CONCLUSÕES

As mensagens de paz das lideranças israelenses e árabes aos seus respectivos povos são exatamente o oposto uma da outra (2).

Os líderes israelenses estão dizendo: o acordo permanente será doloroso, mas devemos aceita-lo porque ele marcará o fim do conflito.

Os líderes árabes-palestinos, por sua vez, dizem: o acordo permanente será doloroso, mas devemos aceita-lo porque não significa o fim do conflito, mas é apenas uma fase do mesmo.


Dá para acreditar em Paz?



(1) Para mais detalhes históricos, ver meus artigos

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Envenenado? Arafat era homossexual e tinha AIDS...



De acordo com a propaganda árabe, Yasser Arafat, o líder "palestino" que nasceu, viveu e estudou no Egito -- além de ter servido no exército do país -- foi vítima de um envenenamento encomendado pelo governo israelense.

Já de acordo com seu médico pessoal, Ashraf al-Kurdi, ele morreu devido a complicações causadas pelo vírus da AIDS. O mesmo foi dito por Ahmad Jibril, seu companheiro e um dos fundadores e líderes da Frente Popular para a Libertação da Palestina -- que disse apenas estar repetindo o que foi dito pelos médicos franceses que cuidaram de Arafat até sua morte. 

"Então foi Israel quem contaminou Arafat com AIDS".
Não se levarmos em conta o que escreveu o tenente-general Ion Pacepa, vice-chefe do serviço de inteligência da Romênia sob ditador comunista Nicolae Ceausescu, e então aliado de Arafat. Em seu livro de memórias ("Red Horizons"), Pacepa relata uma conversa que teve em 1978 com Constantin Munteaunu, um general designado para ensinar a Arafat e a OLP técnicas para enganar os países do ocidente a fim de que estes reconhecessem sua organização terrorista:

 "Eu acabei de ligar para o centro de monitoramento de microfones para falar sobre o 'Fedayee' (nome de guerra de Arafat)", explicou Munteuaunu."

Após a reunião com o camarada ele foi diretamente para a casa de hóspedes para jantar. E naquele mesmo momento o "Fedayee" estava em seu quarto fazendo amor com seu guarda-costas. Aquele que eu sabia ser seu mais novo amante. Ele está brincando de tigre de novo. O oficial [que estava] monitorando os microfones me conectou ao vivo e diretamente com o quarto dele, e seus urros quase estouraram meus tímpanos. Arafat estava rugindo como um tigre e seu amante gritando como uma hiena."
Outra pessoa que traz um relato que segue a mesma linha do de Pacepa é o ex-presidente do Comitê Nacional Democrata, Terry McAuliffe. De acordo com o New York Times, no livro de memórias de McAuliffe

Há uma série de histórias humorísticas salpicadas entre uma pilha de nomes dentro de suas 406 páginas, incluindo [a vez em que] Yasser Arafat, por debaixo da mesa, se esfregava repetidamente nas pernas do senhor McAuliffe durante um jantar em Washington, no ano de 2000.


Associated Press menciona o mesmo relato:

O livro é cheio de revelações dos anos de McAuliffe entre a elite do poder -- recebendo uma supreendente 'massagem' nas pernas do líder palestino Yasser Arafat em um jantar. 
 “What a Party! My Life Among Democrats: Presidents, Candidates, Donors, Activists, Alligators and Other Wild Animals“ -- em português: "Que partido/festa! Minha vida entre os democratas: presidentes, candidatos, doadores, ativistas, crocodilos e outros animais selvagens"




Arafat e o vírus da AIDS


Relato de Ahmed Jibril na TV al-Manar (do Hizballah, Líbano):


Tradução:
Quando Mahmoud Abbas (presidente da Autoridade Palestina) veio a Damascus eu perguntei "o que foi descoberto na investigação médica sobre a morte do irmão Abu Amar [Arafat]?" E uma das pessoas do grupo disse: "Os franceses nos deram o relatório médico e a causa da morte de Arafat foi AIDS" 

Ashraf al-Kurdi, médico pessoal de Arafat:


Tradução:
"Eu pedi para falar com um dos médicos franceses. Eu queria ouvir de suas bocas sobre a sua [de Arafat] condição de saúde, mas eles não me responderam. Quando o presidente Yasser Arafat morreu, eles me mandaram um e-mail/notificação e, de acordo com ela, o presidente Arafat estava hospitalizado lá e seus exames de sangue mostravam que ele sofria com o vírus da AIDS "

Arafat II, o homem da KGB



Como me disse o chefe da KGB, Yury Andropov, um bilhão de inimigos podiam infligir um dano maior aos Estados Unidos do que apenas alguns milhões. Precisávamos instilar um ódio de estilo nazista contra os judeus em todo o mundo islâmico, e fazer esta arma emocional gerar um banho de sangue terrorista contra Israel e o seu principal parceiro, os Estados Unidos.

-- Ion Mihai Pacepa



O general Ion Mihai Pacepa é um ex-oficial da Securitate, polícia política secreta romena, para quem começou a trabalhar em 1951. É o oficial de mais alta patente que desertou do bloco soviético. Fugiu para os EUA em 1978. Engenheiro de formação, é escritor e articulista.

Na época da deserção, era conselheiro do ditador romeno Nicolae Ceausescu, chefe do serviço de inteligência para assuntos exteriores e secretário de estado. Conhecia pessoalmente inúmeros tiranos de primeiro escalão, bem como as operações por eles levadas a cabo, como a Teologia da Libertação, o terrorismo islâmico, a operação contra o Papa Pio XII, só para citar algumas.

Por isso, a sua fuga foi o mais duro golpe sofrido pelo serviço secreto comunista. Pela deserção e pela contribuição ao Ocidente, Pacepa recebeu duas sentenças de morte emitidas por Ceausescu. O ditador também ofereceu um prêmio de 2 milhões de dólares por sua cabeça, quantia à qual se somou 1 milhão ofertado por Yasser Arafat e mais 1 milhão de Muammar al-Gaddafi.

O seu livro Red Horizons: Chronicles of a Communista Spy Chief, sobre a corrupção do governo Ceausescu, era tido pelo presidente Reagan como a sua “Bíblia para lidar com ditadores socialistas”. A obra foi grandemente responsável pela queda do tirano. Best-seller na Romênia, foi traduzido para 27 idiomas.


Segue abaixo o relato de Pacepa sobre Arafat e o terrorismo muçulmano financiado pela União Soviética:

Durante os anos 70, antes de minha deserção da Romênia para a América, quando abandonei meu posto de chefe da inteligência romena, eu era responsável por enviar a Arafat, em dinheiro lavado, cerca de US$ 200 mil por mês. Enviava também, semanalmente, dois aviões de carga para Beirute, equipados com uniformes e suprimentos. Outros países do bloco soviético faziam o mesmo. 

O terrorismo foi extremamente lucrativo para Arafat. De acordo com a revista Forbes, ele é, hoje, o sexto mais rico entre os "reis, rainhas e déspotas" do mundo, com mais de 300 milhões de dólares guardados em contas na Suíça.

"Fui eu quem inventou o seqüestro [de aviões de passageiros]", gabou-se Arafat na primeira vez em que o encontrei em seu quartel-general da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), em Beirute, no começo dos anos 70. Ele apontou para as pequenas bandeiras vermelhas pregadas em um mapa do mundo, afixado na parede. Neste mapa, Israel constava como "Palestina". "Estão todos aqui!", assegurou-me, orgulhoso. 
A questionável honra de ter inventado os seqüestros pertence, na verdade, à KGB, que seqüestrou um avião americano pela primeira vez nos anos 60, para a Cuba comunista. A inovação de Arafat foi a utilização de homens-bomba, um conceito de terror que atingiu seu ponto máximo com o 11 de setembro de 2001. 

Em 1972, o Kremlin colocou Arafat e suas redes de terror no topo da lista de prioridades dos serviços de inteligência bloco soviético, inclusive o que eu dirigia. O papel de Bucareste era criar uma imagem positiva de Arafat dentro da Casa Branca, pois éramos especialistas nisto. Já tínhamos obtido grande êxito em convencer Washington - e a maioria dos esquerdistas universitários dos EUA no período — de que Nicolae Ceausescu era, assim como Josip Broz Tito, um comunista "independente" com uma coloração "moderada". 
Em fevereiro de 1972, o chefe da KGB, Yuri Andropov, riu da capacidade americana de se iludir com certas celebridades. Havíamos superado os cultos de personalidade stalinistas, mas aqueles americanos loucos ainda eram ingênuos o bastante para reverenciar líderes nacionais. Transformaríamos Arafat justamente nesse tipo de líder, aproximando a OLP do poder, progressivamente. 

Andropov pensava que os americanos, cansados da guerra do Vietnã, agarrariam o menor sinal de conciliação para promover Arafat de terrorista a estadista em suas esperanças de paz. 
Logo após aquele encontro, recebi o "arquivo" da KGB sobre Arafat. Ele era um burguês egípcio, que a inteligência estrangeira da KGB transformara em marxista devoto. A KGB treinara-o em sua escola de operações especiais em Balashikha, a leste de Moscou, e em meados dos anos 60 decidiu prepará-lo para ser o futuro líder da OLP. 

Primeiro, a KGB destruiu os registros oficiais do nascimento de Arafat no Cairo, substituindo-os por documentos fictícios segundo os quais ele nascera em Jerusalém e era, portanto, palestino de nascimento. 
O departamento de desinformação da KGB passou então a trabalhar em um panfleto de Arafat de quatro páginas, intitulado "Falastinuna" ("Nossa Palestina"), acabando por transformá-lo em uma revista mensal de 48 páginas para a organização terrorista palestina Al-Fatah, dirigida por Arafat desde 1957. A KGB distribuiu esta revista para todo o mundo árabe e para a Alemanha Ocidental, onde residiam, à época, muitos estudantes palestinos. A publicação e distribuição dessas revistas era prática comum da KGB, que mantinha vários periódicos semelhantes, nas mais diversas línguas, para as organizações de fachada na Europa Ocidental — como o Conselho Mundial da Paz e a Federação Sindical Mundial. 

A seguir, a KGB construiu uma ideologia e uma imagem para Arafat, exatamente o que fez para comunistas leais de nossas organizações internacionais de fachada. O idealismo altruísta não tinha nenhum apelo popular no mundo árabe, e então a KGB remodelou Arafat, transformando-o em um furioso anti-sionista. Além disso, selecionaram para ele um "herói pessoal" — o Grande Mufti Haj Amin al-Husseini, o homem que visitou Auschwitz no final dos anos 30 e repreendeu os alemães por não estarem matando judeus em quantidade satisfatória. Em 1985, Arafat prestou homenagem ao mufti, dizendo que sentia um "orgulho sem fim" por estar seguindo os seus passos. 

Arafat era um agente secreto importante para a KGB. Logo após a Guerra dos Seis Dias de 1967, entre árabes e israelenses, Moscou conseguiu fazê-lo presidente da OLP. O ditador egípcio Gamal Abdel Nasser, marionete dos soviéticos, foi quem propôs sua nomeação. Em 1969, a KGB pediu a Arafat que declarasse guerra ao "sionismo imperialista" americano durante a primeira reunião da Internacional Terrorista Negra, uma organização pró-palestina e neofascista financiada pela KGB e pelo ditador líbio Muammar Kadafi. Arafat gostou tanto da idéia que, mais tarde, alegou ter sido ele próprio o conclamador da batalha contra o imperialismo sionista. Mas esta, na verdade, não passava de uma invenção de Moscou, uma adaptação moderna dos "Protocolos dos Sábios do Sião" -- ferramenta amplamente empregada pela inteligência russa para fomentar o ódio racial. A KGB sempre considerou que o anti-semitismo, somado ao antiimperialismo, daria uma riquíssima fonte de antiamericanismo. 

O arquivo da KGB sobre Arafat dizia ainda que, no mundo árabe, só quem sabe ser mentiroso consegue ser promovido a altos cargos. Nós, romenos, fomos designados para ajudar Arafat a aumentar sua "já impressionante capacidade de dissimulação". O chefe da inteligência estrangeira da KGB, general Aleksandr Sakharovsky, ordenou que déssemos cobertura às operações terroristas de Arafat, construindo, paralelamente, sua boa imagem internacional. "Arafat atua brilhantemente no palco", concluía em sua carta, "e devemos fazer dele uso devido". Em março de 1978, eu trouxe Arafat a Bucareste secretamente para que recebesse as instruções finais de como deveria se comportar em Washington. "Você simplesmente tem que continuar fingindo que vai largar o terrorismo e reconhecer Israel - repita isso vezes e vezes sem fim", disse-lhe Ceausescu pela enésima vez. Ceausescu estava eufórico com a possibilidade de que, tanto Arafat como ele mesmo, conseguissem ciscar um Prêmio Nobel da Paz com seus fingidos acenos do ramo de oliveiras. 

Em abril do mesmo ano (1978), acompanhei Ceausescu até Washington, onde ele encantou o presidente Jimmy Carter. Arafat, insistiu ele, transformaria sua brutal OLP em um governo no exílio cioso da lei, bastando para isto que os Estados Unidos estabelecessem relações diplomáticas com a organização. O encontro foi um grande sucesso para nós. Carter saudou Ceausescu, ditador do estado policial mais repressivo da Europa Oriental, como "um grande líder nacional e internacional", que "assumiu um papel de liderança em toda a comunidade internacional". Triunfante, Ceausescu trouxe para casa um comunicado conjunto onde o presidente americano salientava que suas relações amistosas com Ceausescu serviam "à causa do mundo". 

Três meses depois, recebi asilo político nos EUA. Ceausescu não conseguiu seu Nobel da Paz, mas, em 1994, Arafat conseguiu o seu — tudo porque continuou desempenhando magistralmente o papel que nós lhe havíamos dado. Ele transformara sua OLP em um governo no exílio (a Autoridade Palestina), sempre fingindo que acabaria com o terrorismo palestino quando, em verdade, nada fazia para isto. Dois anos depois da assinatura dos acordos de Oslo, o número de israelenses mortos por terroristas palestinos havia aumentado 73%. 

Em 23 de outubro de 1998, o presidente Clinton concluiu seu discurso sobre Arafat agradecendo-o por "décadas e décadas e décadas representando incansavelmente o desejo do povo palestino de ser livre, auto-suficiente e possuir um lar". 
O atual governo americano é capaz de ver o que há por trás da máscara de Arafat, mas se nega a apoiar sua expulsão publicamente. Enquanto isso, o velho terrorista já consolidou seu domínio sobre a Autoridade Palestina, e continua designando seus jovens seguidores para mais ataques suicidas. 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Yasser Arafat, o "palestino" egipcio

Yasser Arafat



É irônico e muito revelador que o homem que personifica o movimento palestino não tenha nascido na Palestina e que nem se encaixe na definição de 'identidade palestina' de sua própria organização.

Yasser Arafat, cujo nome verdadeiro era Abdel-Rahman Abdel-Raouf Arafat al-Qudwa al-Husseini, nasceu em agosto de 1929, no Cairo, filho de um comerciante de tecidos egípcio. Ele foi enviado a Jerusalém quando criança, após a morte de sua mãe, e depois voltou para o Egito, onde cursou a faculdade e serviu o exército do país.

Ao longo de sua carreira, as origens egípcias de Arafat foram um impedimento político e fonte de constrangimento pessoal. Um biógrafo observa que no primeiro encontro com ele, em 1967, os "cisjordanianos não gostaram de seu sotaque e de seus modos egípcios e os consideravam estrangeiros", e que até o fim Arafat empregou um assessor que traduzia o seu dialeto egípcio para o usado nos territórios controlados pelos palestinos, para que pudesse se comunicar com os moradores da Cisjordânia e de Gaza.

Apesar de ser um egípcio e de não ter tido nenhuma participação na formação da até então inexistente identidade palestina, isso não impediu Arafat de reivindicar o status de refugiado ao longo de sua vida: "Eu sou um refugiado", afirmou em uma entrevista em 1969: "você sabe o que significa ser um refugiado? Eu sou um homem pobre e desamparado. Eu não tenho nada, porque eu fui expulso e despossuído de minha terra natal".

Em meados da década de 1950, Arafat se juntou a Irmandade Muçulmana no Egito e, em seguida, chegou ao topo da hierarquia da Palestine Students Union na Universidade do Cairo. No final dos anos 1950 Arafat mudou-se para o Kuwait, onde ele co-fundou o Fatah ["Movimento de Libertação Nacional Palestino"], a facção que mais tarde iria conquistar o controle sobre todo o movimento palestino. As heterogêneas bases do Fatah, que uniam islâmicos, comunistas e pan-arabistas se expandiu através de violência brutal. "As pessoas não são atraídas por discursos, e sim por balas ", dizia ele.

Em seu currículo de "estadista" internacional, merecedor inclusive do Nobel da Paz, estão, entre outras tantas realizações:
-- a participaçao no massacre de atletas judeus na Olimpíada de Munique (O ataque do Setembro Negro), no ano de 1972;
-- o massacre na escola de Ma'alot, em 1974, onde morreram 28 pessoas -- quase todas crianças;
-- o atentado terrorista a um ônibus na rodovia Haifa-Tel Aviv, realizado em março de 1978, que deixou 35 mortos e 80 feridos.

Isso sem mencionar um dos atos mais heróicos da OLP sob seu comando: o assassinato do judeu americano Leon Klinghoffer durante o seqüestro do navio italiano Achille Lauro. A vítima foi jogada no mar em sua cadeira de rodas...



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Said Akl, o poeta nacional do Líbano



Said Akl (em árabe: سعيد عقل) é considerado um dos mais importantes poetas modernos libaneses. Ele também é um grande defensor da identidade, do nacionalismo e do idioma libanês. Seus escritos incluem poesia e prosa, tanto em dialeto libanês quanto em língua árabe clássica. 

Akl nasceu em uma família cristã maronita na cidade de Zahlé, no Líbano. Após a perda de seu pai aos 15 anos de idade, ele teve que abandonar a escola e, posteriormente, trabalhou como professor e depois como jornalista. Depois estudou teologia, literatura e história islâmica, tornando-se um professor universitário e lecionando em diversas universidades libanesas e institutos de política.

Sua admiração pela história e pela cultura do Líbano fez com que ele nutrisse uma forte inimizade para com a língua e a cultura árabe. Este sentimento foi eternizado em uma de suas frases mais famosas: 

eu cortaria a minha mão direita só para não ser um árabe

Em 1968, depois de criar um "alfabeto libanês" de origem latina, composto de 37 letras, ele afirmou que o árabe literário desapareceria do Líbano.

Para Akl, o Líbano dos fenícios foi o berço da cultura e o herdeiro da civilização oriental, bem antes da chegada dos árabes no país. 

No video abaixo Akl exalta a invasão isralense do Líbano, ataca os palestinos e afirma que todos os libaneses deveriam sair às ruas para ajudar o exército de Israel a "limpar" o Líbano dos árabes-palestinos.



[Tradução]

Não há um segundo passo, há apenas um [passo] para o herói Beguin (então primeiro-ministro de Israel): limpar o Líbano dos palestinos. Isso é o que o Líbano quer.
Se isso não acontecesse eu me sentiria tremendamente infeliz, assim como o resto da população libanesa.

Assim que o exército israelense entrasse no Líbano, todo o Líbano deveria ter se levantado e lutado ao seu lado. Se eu tivesse um batalhão militar, eu iria agora mesmo lutar ao lado do exército israelense.
Hoje no meu jornal, eu agradeci ao exército israelense num editorial chamado "Israel está aqui". Eu escrevi: "estou feliz por dois motivos: porque o exército está salvando a nós e ao mundo e [porque] está mostrando a cabeça da serpente ao mundo -- que se chama terrorismo" -- e eu vou falar sobre isso depois. 
Mas eu também estou triste porque não somos nós que estamos salvando o Líbano com os Israelenses, salvando dessa imundice palestina racista e sanguinária, que lidera o terrorismo no mundo.

Pergunta: E por que você não tomou parte na operação?

Eu acredito que existam alguns políticos corruptos no Líbano, e a maioría deles está no governo. Eles não permitíram que os libaneses tomassem partido.
O povo libanês travou uma boa guerra contra os palestinos, mas [Yasser] Arafat enganou e extorquiu os países produtores de petróleo e agora tem mais de 70 bilhoes de dólares. Nesses últimos dois dias ele comprou líderes na Europa e nos Estados Unidos para agir contra você, para dizer que este exército [de Israel] que está salvando o Líbano é um invasor -- mas qualquer um que diga isso deveria ser decapitado!
Em nome do Líbano, eu te digo que esse é o único exército da salvação.