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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Sabra e Chatila e o Massacre de Damour

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Com a morte de Ariel Sharon, todas as velhas acusações de responsabilidade no massacre de Sabra e Shatilla voltaram ao noticiário -- apesar de a investigação militar realizada tê-lo considerado apenas "indiretamente responsável" pelo ocorrido e do governador de Beirute, Antoine Lahad, ter afirmado ao jornal Yedioth Aharonoth que Sharon nada sabia e que não teve participação alguma no ocorrido. Em sua opinião o único erro do então ministro da defesa foi ter permitido que a milícia libanesa Falange entrasse nos campos de refugiados.

Um fato importante é que, na maioria das vezes, a Falange sequer é mencionada quando o massacre é discutido. O que torna o caso ainda pior é que o grupo ("Keta'eb", como é chamado nos dias de hoje no Líbano) ainda é um partido político ativo no país. Então ficamos assim: o grupo que atuou ativamente no campo e que foi responsável pelas mortes nem mesmo é mencionado enquanto Sharon leva toda a culpa pelo ocorrido... 



As Falanges Libanesas

O grupo controlado pela família Gemayel foi formado em 1936, como uma organização paramilitar de jovens cristãos maronitas.
Ao criar o partido, Pierre Gemayel se inspirou na Falange Espanhola e no Partido Nacional Fascista italiano. Outro movimento que serviu de inspiração foi o Nacional Socialismo alemão, que ele conheceu quando esteve em Berlim como atleta nas Olimpíadas de 1936. Na época nenhuma dessas ideologias tinha a reputação que tem hoje e, em entrevistas, Gemayel afirmou que o "Nazismo veio depois", e que nesses regimes ele via disciplina, e que "no Oriente Médio necessitamos de disciplina mais do que qualquer outra coisa".                         


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                                                         Símbolo do Keta'eb/ Falange


O partido nutria um forte sentimento nacionalista -- baseado no cristianismo e em suas origens fenícias -- e se opunha tanto à presença de países ocidentais no Líbano quanto ao pan-arabismo [1] [2], o que aproximava seus membros de Israel -- mas não tanto quanto a Igreja Maronita desejava.



O Massacre de Damour 

Em 20 de Janeiro de 1976, durante a guerra civil libanesa, uma cidade cristã ao sul da capital Beirute foi atacada pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que tinha se unido a grupos muçulmanos libaneses contra os cristãos. Parte da população do local morreu em batalha e centenas foram assassinados no massacre que se seguiu. O número de civis maronitas mortos ficou entre 150 e 582.

O massacre de Sabra e Chatila foi uma resposta ao massacre de Damour e a anos de violência anti-cristã por parte dos muçulmanos libaneses e de seus aliados árabes-palestinos.


No video abaixo o poeta Said Akl, um dos maiores ícones do nacionalismo libanês, dá o tom do sentimento pro-Israel e anti-palestino que imperava entre os cristãos libaneses. As tensões sectárias no país nunca arrefeceram, e uma nova guerra civil é apenas questão de tempo.


[Tradução]

Não há um segundo passo, há apenas um [passo] para o herói Beguin (então primeiro-ministro de Israel): limpar o Líbano dos palestinos. Isso é o que o Líbano quer.
Se isso não acontecesse eu me sentiria tremendamente infeliz, assim como o resto da população libanesa.

Assim que o exército israelense entrasse no Líbano, todo o Líbano deveria ter se levantado e lutado ao seu lado. Se eu tivesse um batalhão militar, eu iria agora mesmo lutar ao lado do exército israelense.
Hoje no meu jornal, eu agradeci ao exército israelense num editorial chamado "Israel está aqui". Eu escrevi: "estou feliz por dois motivos: porque o exército está salvando a nós e ao mundo e [porque] está mostrando a cabeça da serpente ao mundo -- que se chama terrorismo" -- e eu vou falar sobre isso depois. 
Mas eu também estou triste porque não somos nós que estamos salvando o Líbano com os Israelenses, salvando dessa imundice palestina racista e sanguinária, que lidera o terrorismo no mundo.

Pergunta: E por que você não tomou parte na operação?

Eu acredito que existam alguns políticos corruptos no Líbano, e a maioría deles está no governo. Eles não permitíram que os libaneses tomassem partido.
O povo libanês travou uma boa guerra contra os palestinos, mas [Yasser] Arafat enganou e extorquiu os países produtores de petróleo e agora tem mais de 70 bilhoes de dólares. Nesses últimos dois dias ele comprou líderes na Europa e nos Estados Unidos para agir contra você, para dizer que este exército [de Israel] que está salvando o Líbano é um invasor -- mas qualquer um que diga isso deveria ser decapitado!
Em nome do Líbano, eu te digo que esse é o único exército da salvação. 

sábado, 11 de janeiro de 2014

Sharon, a paz, a segunda intifada e a "esplanada das mesquitas"


Ariel Sharon em visita ao Monte do Templo no ano 2000


Em outubro de 2000 tudo indicava que finalmente os líderes de Israel e dos árabes-palestinos chegariam a um acordo de convivência que levaria à coexistência pacífica entre o Estado judeu e um segundo Estado palestino a ser proclamado em Gaza e na Cisjordania. As delegações chefiadas pelo primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, reunidas em Camp David com a delegação americana, chefiada pelo então presidente Bill Clinton, tinham sobre a mesa a ousada proposta de Barak, concedendo aos palestinos quase todas as suas reivindicações: 95% dos territórios "ocupados" (e negociações para acertos de fronteira e troca de territórios de acordo com a situação demográfica e as questões de segurança), um regime especial para Jerusalém, que permitisse, sem dividir a cidade, que os palestinos lá tivessem sua capital, desocupação da maior parte das colônias judaicas, acordos de cooperação econômica que viabilizariam o novo Estado a ser proclamado e todos os detalhes redundantes dessa postura básica.

Surpreendentemente, no último momento, Arafat recuou, rejeitou a proposta e deu início à intifada, que se alegou ser uma reação de revolta palestina ante uma visita "provocadora" de Ariel Sharon ao monte do Templo -- o local mais sagrado para o judaísmo, onde foi construído o Templo de Salomão (a imprensa brasileira se recusa a noticiar este fato, e se refere ao local simplesmente como "esplanada das mesquitas", repetindo a narrativa islamica e negando qualquer ligação dos judeus com o local). 

Quanto a acusação de que a visita de Sharon foi a responsável pela intifada... isso é algo que até os próprios árabes -- mas não a imprensa ocidental, claro! --  admitem ser uma mentira:


"Quem quer que pense que a intifada começou como resultado da desprezível visita de Sharon à mesquita de al-Aqsa está errado. Essa foi apenas a última gota que acabou com a paciência do povo palestino. 
A intifada já estava planejada desde o retorno do presidente Arafat de Camp David [nos EUA, onde se discutia a paz], onde o Arafat resistiu ao presidente Clinton e rejeitou os termos do acordo no coração da América."


Por que sua recusa? O que Arafat realmente queria? Como ele nunca declarou explicitamente o que quer (nas negociações, os palestinos se limitaram a fazer exigências e recusar propostas), resta especular sobre algumas possibilidades:


a) Arafat não conseguiu reunir coragem ou vontade para vencer as pressões dos grupos palestinos mais radicais, que recusam a paz e a convivência com Israel. Mesmo percebendo a oportunidade, não quis arriscar o que Barak arriscou: enfrentar sua própria gente e convencê-la de que só com concessões mútuas poder-se-ia construir uma solução que fosse o início de um processo de paz verdadeiro.



b) Arafat não quis aceitar uma solução a não ser em seus próprios termos e com a satisfação de 100% de suas exigências. Diante de uma proposta de conciliação irrecusável, as únicas alternativas são aceitá-la ou romper a negociação, exatamente para não ter de aceitá-la. A entrega de praticamente todos os territórios, a partilha de Jerusalém como capital, o estabelecimento de outro Estado palestino, a cooperação econômica, seriam o máximo de concessões exigíveis de Israel já no início do processo de convivência pacífica. 
O medo de um resultado negociado que exigiria compromissos dos palestinos pode ter sido o que levou Arafat a partir para o confronto, na tentativa de obter, sem se comprometer com nada, mais do que estava a seu alcance com uma simples assinatura. A exigência de última hora de Arafat, que ele sabia muito bem não poder jamais ser aceita por Israel, foi a "volta de 3 milhões de refugiados" palestinos, não ao futuro Estado palestino, mas para dentro do Estado de Israel, o que parece induzir a próxima alternativa.

c) Os palestinos nunca quiseram realmente uma paz definitiva com Israel e, na verdade, nunca teriam abandonado seu objetivo estratégico de acabar com Israel como Estado judeu. Para isso, como está definido na Carta Palestina, as negociações e o Estado palestino seriam apenas uma etapa. A possibilidade de um Estado palestino com compromissos de paz e reconhecimento de Israel seria uma ameaça a esse princípio. Fortes indícios dessa possibilidade transparecem da exigência de última hora em Camp David: cerca de 3 milhões de palestinos (supostamente, os descendentes dos 600.000 palestinos que saíram de suas casas e foram para o exílio durante a Guerra de Independência de Israel) deveriam "retornar", não ao Estado palestino, mas ao Estado de Israel. O objetivo, claramente, não era fortalecer o novo Estado a ser criado, mas debilitar o caráter judaico de Israel. Uma população de 4.200.000 palestinos, ante menos de 5 milhões de judeus, poderia levar, em pouco tempo, pela via demográfica, ao "fim do Estado sionista", como consta nos programas e nas estratégias palestinas.
Qualquer que tenha sido o motivo – ou os motivos – de Arafat, ele desencadeou a intifada e a violência quando tinha ao seu alcance a realização de praticamente todos os seus objetivos pelo caminho do acordo e da convivência.


...Quando dizemos que a solução deve ser baseada nessas fronteiras [de 1967], o presidente [Abbas] entende, nós entendemos e todos sabem que o "objetivo maior" não pode ser alcançado de uma vez só. Se Israel se retirar de Jerusalém, retirar 650.000 colonos e desmantelar o muro... o que será de Israel? O país acabará.

Quem está nervoso e irritado agora? Netanyahu, Lieberman, Obama... todos esses vermes.
... Nós deveríamos nos alegrar em ver Israel perturbado.
Se alguém disser que quer "varrer" Israel... é muito difícil. Não é [uma política] aceitável dizer isso. Não diga essas coisas ao mundo, guarde consigo. 
Eu quero as resoluções que todos concordam. Eu digo para o mundo, para o quarteto e para os EUA: vocês prometeram e se transformaram em mentirosos.



segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Arafat II, o homem da KGB



Como me disse o chefe da KGB, Yury Andropov, um bilhão de inimigos podiam infligir um dano maior aos Estados Unidos do que apenas alguns milhões. Precisávamos instilar um ódio de estilo nazista contra os judeus em todo o mundo islâmico, e fazer esta arma emocional gerar um banho de sangue terrorista contra Israel e o seu principal parceiro, os Estados Unidos.

-- Ion Mihai Pacepa



O general Ion Mihai Pacepa é um ex-oficial da Securitate, polícia política secreta romena, para quem começou a trabalhar em 1951. É o oficial de mais alta patente que desertou do bloco soviético. Fugiu para os EUA em 1978. Engenheiro de formação, é escritor e articulista.

Na época da deserção, era conselheiro do ditador romeno Nicolae Ceausescu, chefe do serviço de inteligência para assuntos exteriores e secretário de estado. Conhecia pessoalmente inúmeros tiranos de primeiro escalão, bem como as operações por eles levadas a cabo, como a Teologia da Libertação, o terrorismo islâmico, a operação contra o Papa Pio XII, só para citar algumas.

Por isso, a sua fuga foi o mais duro golpe sofrido pelo serviço secreto comunista. Pela deserção e pela contribuição ao Ocidente, Pacepa recebeu duas sentenças de morte emitidas por Ceausescu. O ditador também ofereceu um prêmio de 2 milhões de dólares por sua cabeça, quantia à qual se somou 1 milhão ofertado por Yasser Arafat e mais 1 milhão de Muammar al-Gaddafi.

O seu livro Red Horizons: Chronicles of a Communista Spy Chief, sobre a corrupção do governo Ceausescu, era tido pelo presidente Reagan como a sua “Bíblia para lidar com ditadores socialistas”. A obra foi grandemente responsável pela queda do tirano. Best-seller na Romênia, foi traduzido para 27 idiomas.


Segue abaixo o relato de Pacepa sobre Arafat e o terrorismo muçulmano financiado pela União Soviética:

Durante os anos 70, antes de minha deserção da Romênia para a América, quando abandonei meu posto de chefe da inteligência romena, eu era responsável por enviar a Arafat, em dinheiro lavado, cerca de US$ 200 mil por mês. Enviava também, semanalmente, dois aviões de carga para Beirute, equipados com uniformes e suprimentos. Outros países do bloco soviético faziam o mesmo. 

O terrorismo foi extremamente lucrativo para Arafat. De acordo com a revista Forbes, ele é, hoje, o sexto mais rico entre os "reis, rainhas e déspotas" do mundo, com mais de 300 milhões de dólares guardados em contas na Suíça.

"Fui eu quem inventou o seqüestro [de aviões de passageiros]", gabou-se Arafat na primeira vez em que o encontrei em seu quartel-general da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), em Beirute, no começo dos anos 70. Ele apontou para as pequenas bandeiras vermelhas pregadas em um mapa do mundo, afixado na parede. Neste mapa, Israel constava como "Palestina". "Estão todos aqui!", assegurou-me, orgulhoso. 
A questionável honra de ter inventado os seqüestros pertence, na verdade, à KGB, que seqüestrou um avião americano pela primeira vez nos anos 60, para a Cuba comunista. A inovação de Arafat foi a utilização de homens-bomba, um conceito de terror que atingiu seu ponto máximo com o 11 de setembro de 2001. 

Em 1972, o Kremlin colocou Arafat e suas redes de terror no topo da lista de prioridades dos serviços de inteligência bloco soviético, inclusive o que eu dirigia. O papel de Bucareste era criar uma imagem positiva de Arafat dentro da Casa Branca, pois éramos especialistas nisto. Já tínhamos obtido grande êxito em convencer Washington - e a maioria dos esquerdistas universitários dos EUA no período — de que Nicolae Ceausescu era, assim como Josip Broz Tito, um comunista "independente" com uma coloração "moderada". 
Em fevereiro de 1972, o chefe da KGB, Yuri Andropov, riu da capacidade americana de se iludir com certas celebridades. Havíamos superado os cultos de personalidade stalinistas, mas aqueles americanos loucos ainda eram ingênuos o bastante para reverenciar líderes nacionais. Transformaríamos Arafat justamente nesse tipo de líder, aproximando a OLP do poder, progressivamente. 

Andropov pensava que os americanos, cansados da guerra do Vietnã, agarrariam o menor sinal de conciliação para promover Arafat de terrorista a estadista em suas esperanças de paz. 
Logo após aquele encontro, recebi o "arquivo" da KGB sobre Arafat. Ele era um burguês egípcio, que a inteligência estrangeira da KGB transformara em marxista devoto. A KGB treinara-o em sua escola de operações especiais em Balashikha, a leste de Moscou, e em meados dos anos 60 decidiu prepará-lo para ser o futuro líder da OLP. 

Primeiro, a KGB destruiu os registros oficiais do nascimento de Arafat no Cairo, substituindo-os por documentos fictícios segundo os quais ele nascera em Jerusalém e era, portanto, palestino de nascimento. 
O departamento de desinformação da KGB passou então a trabalhar em um panfleto de Arafat de quatro páginas, intitulado "Falastinuna" ("Nossa Palestina"), acabando por transformá-lo em uma revista mensal de 48 páginas para a organização terrorista palestina Al-Fatah, dirigida por Arafat desde 1957. A KGB distribuiu esta revista para todo o mundo árabe e para a Alemanha Ocidental, onde residiam, à época, muitos estudantes palestinos. A publicação e distribuição dessas revistas era prática comum da KGB, que mantinha vários periódicos semelhantes, nas mais diversas línguas, para as organizações de fachada na Europa Ocidental — como o Conselho Mundial da Paz e a Federação Sindical Mundial. 

A seguir, a KGB construiu uma ideologia e uma imagem para Arafat, exatamente o que fez para comunistas leais de nossas organizações internacionais de fachada. O idealismo altruísta não tinha nenhum apelo popular no mundo árabe, e então a KGB remodelou Arafat, transformando-o em um furioso anti-sionista. Além disso, selecionaram para ele um "herói pessoal" — o Grande Mufti Haj Amin al-Husseini, o homem que visitou Auschwitz no final dos anos 30 e repreendeu os alemães por não estarem matando judeus em quantidade satisfatória. Em 1985, Arafat prestou homenagem ao mufti, dizendo que sentia um "orgulho sem fim" por estar seguindo os seus passos. 

Arafat era um agente secreto importante para a KGB. Logo após a Guerra dos Seis Dias de 1967, entre árabes e israelenses, Moscou conseguiu fazê-lo presidente da OLP. O ditador egípcio Gamal Abdel Nasser, marionete dos soviéticos, foi quem propôs sua nomeação. Em 1969, a KGB pediu a Arafat que declarasse guerra ao "sionismo imperialista" americano durante a primeira reunião da Internacional Terrorista Negra, uma organização pró-palestina e neofascista financiada pela KGB e pelo ditador líbio Muammar Kadafi. Arafat gostou tanto da idéia que, mais tarde, alegou ter sido ele próprio o conclamador da batalha contra o imperialismo sionista. Mas esta, na verdade, não passava de uma invenção de Moscou, uma adaptação moderna dos "Protocolos dos Sábios do Sião" -- ferramenta amplamente empregada pela inteligência russa para fomentar o ódio racial. A KGB sempre considerou que o anti-semitismo, somado ao antiimperialismo, daria uma riquíssima fonte de antiamericanismo. 

O arquivo da KGB sobre Arafat dizia ainda que, no mundo árabe, só quem sabe ser mentiroso consegue ser promovido a altos cargos. Nós, romenos, fomos designados para ajudar Arafat a aumentar sua "já impressionante capacidade de dissimulação". O chefe da inteligência estrangeira da KGB, general Aleksandr Sakharovsky, ordenou que déssemos cobertura às operações terroristas de Arafat, construindo, paralelamente, sua boa imagem internacional. "Arafat atua brilhantemente no palco", concluía em sua carta, "e devemos fazer dele uso devido". Em março de 1978, eu trouxe Arafat a Bucareste secretamente para que recebesse as instruções finais de como deveria se comportar em Washington. "Você simplesmente tem que continuar fingindo que vai largar o terrorismo e reconhecer Israel - repita isso vezes e vezes sem fim", disse-lhe Ceausescu pela enésima vez. Ceausescu estava eufórico com a possibilidade de que, tanto Arafat como ele mesmo, conseguissem ciscar um Prêmio Nobel da Paz com seus fingidos acenos do ramo de oliveiras. 

Em abril do mesmo ano (1978), acompanhei Ceausescu até Washington, onde ele encantou o presidente Jimmy Carter. Arafat, insistiu ele, transformaria sua brutal OLP em um governo no exílio cioso da lei, bastando para isto que os Estados Unidos estabelecessem relações diplomáticas com a organização. O encontro foi um grande sucesso para nós. Carter saudou Ceausescu, ditador do estado policial mais repressivo da Europa Oriental, como "um grande líder nacional e internacional", que "assumiu um papel de liderança em toda a comunidade internacional". Triunfante, Ceausescu trouxe para casa um comunicado conjunto onde o presidente americano salientava que suas relações amistosas com Ceausescu serviam "à causa do mundo". 

Três meses depois, recebi asilo político nos EUA. Ceausescu não conseguiu seu Nobel da Paz, mas, em 1994, Arafat conseguiu o seu — tudo porque continuou desempenhando magistralmente o papel que nós lhe havíamos dado. Ele transformara sua OLP em um governo no exílio (a Autoridade Palestina), sempre fingindo que acabaria com o terrorismo palestino quando, em verdade, nada fazia para isto. Dois anos depois da assinatura dos acordos de Oslo, o número de israelenses mortos por terroristas palestinos havia aumentado 73%. 

Em 23 de outubro de 1998, o presidente Clinton concluiu seu discurso sobre Arafat agradecendo-o por "décadas e décadas e décadas representando incansavelmente o desejo do povo palestino de ser livre, auto-suficiente e possuir um lar". 
O atual governo americano é capaz de ver o que há por trás da máscara de Arafat, mas se nega a apoiar sua expulsão publicamente. Enquanto isso, o velho terrorista já consolidou seu domínio sobre a Autoridade Palestina, e continua designando seus jovens seguidores para mais ataques suicidas. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

"A Jordânia é a Palestina"

Há pouco tempo, dois políticos ocidentais sofreram duras críticas por causa de declarações sobre o conflito árabe-israelense. O candidato presidencial americano Newt Gingrich e o político holandês Geert Wilders, líder do terceiro maior partido na Holanda, afirmaram o mesmo que os árabes dizem em seu próprio idioma: A Jordânia é a Palestina e a Palestina é a Jordânia.

Selo postal emitido pelo governo jordaniano (1964), que mostra a Palestina do mandato britânico (que incluía Israel, a Jordânia e os territórios em disputa) como se fosse apenas a Jordânia, junto com uma imagem do falecido rei Hussein


Por décadas, os jordanianos foram ávidos proponentes da posição “A Jordânia é a Palestina”. Eles usaram essa posição como justificativa para a anexação da Cisjordânia (Judéia e Samaria), argumentando que a Palestina era uma única e indivisível unidade e que a Jordânia era sua legítima governante.


"Nós somos o governo da Palestina, o exército da Palestina e os refugiados da Palestina"
– Primeiro Ministro da Jordânia, Hazza’ al-Majali, 23 de agosto de 1959

"A Palestina e a Transjordânia são uma só"
– Rei Abdullah, em reunião da Liga Árabe no Cairo, em 12 de abril de 1948

"A Palestina é a Jordânia e a Jordânia é a Palestina; há um só povo e uma só terra, com uma história única e um destino único"
– Príncipe Hassan, irmão do Rei Hussein, dirigindo-se à assembléia Nacional Jordaniana em 02 de fevereiro de 1970

"A Jordânia não é apenas mais um estado árabe no que diz respeito à Palestina, mas em vez disso, a Jordânia é a Palestina e a Palestina é a Jordânia em termos de território, identidade nacional, sofrimentos, esperanças e aspirações"
– Ministro da Agricultura jordaniano, em 24 de setembro de 1980

"A verdade é que a Jordânia é a Palestina e a Palestina é a Jordânia"
– Rei Hussein, em 1981

De fato, até 1970, a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), comandada por Yasser Arafat, conduziu operações terroristas contra a Jordânia, com a justificativa de que aquele era território palestino e que a minoria hashemita estava governando a maioria palestina. Foi somente depois que a Jordânia matou milhares de palestinos no ‘Setembro Negro’ (e quem no Ocidente jamais se importou com isso?) que Israel subitamente tornou-se o ‘único lar histórico dos palestinos’, enquanto a Jordânia era apagada do quadro — e a invenção do ‘palestinismo’ transformou-se em verdade incontestável.

Porém, na qualidade de político “palestino”, Zouhair Moussein declarou ao jornal holandês Trouw em 1977:


 O povo palestino não existe. A criação de um estado palestino é apenas um meio para continuar nossa luta contra o Estado de Israel e em favor da unidade árabe. Na realidade, hoje não há diferença entre jordanianos, palestinos, sírios e libaneses. Hoje nós falamos sobre a existência de um povo palestino apenas por razões políticas e táticas, uma vez que os interesses nacionais árabes exigem que apresentemos a existência de um “povo palestino” distinto em oposição ao sionismo.
 Por razões táticas, a Jordânia, que é um estado soberano com fronteiras definidas não pode fazer reivindicações sobre Haifa e Jaffa, enquanto eu, como um palestino, posso, sem dúvida nenhuma, exigir Haifa, Jaffa, Be'er-Sheva e Jerusalém. Contudo, no momento em que recuperarmos nosso direito sobre toda a Palestina, não esperaremos nem um minuto para unir a Palestina à Jordânia.
Quando a OLP  foi criada, em 1964, a Cisjordania (Judéia e Samaria) e Jerusalém oriental estavam sob controle jordaniano e a Faixa de Gaza estava sob controle egípcio. Na mesma época a organização emitiu uma carta com seus objetivos e crenças (Palestine National Charter of 1964). Todos os territórios que os árabes hoje chamam de "territórios palestinos ocupados" estavam sob controle da Jordânia e do Egito e, mesmo assim, nenhum país exigia a sua entrega. Nem mesmo a própria OLP:

 Esta organização não exerce qualquer soberania territorial sobre a Cisjordânia no Reino Hachemita da Jordânia, da Faixa de Gaza ou na Área de himmah. Suas atividades serão no nível popular nacional, nos campos organizacionais, políticos, financeiros e de libertação
-- Artigo 24 do Palestine National Charter


De acordo com as palavras da OLP, a organização não só não exercia "qualquer soberania" sobre os territórios que hoje exige de Israel, como também não fazia qualquer menção a um desejo de exercê-la. Ela simplesmente declara que a Cisjordânia é território jordaniano e que as "suas atividades serão no nível popular nacional, nos campos organizacionais, políticos, financeiros e de libertação."

Se os árabes-palestinos não desejavam tomar o controle de Jerusalém oriental, Cisjordânia e Faixa de Gaza, o que queriam libertar então? O artigo 17 do mesmo documento responde esta questão:

 A partilha da Palestina, ocorrida em 1947, e o estabelecimento de Israel são ilegais, nulos e sem efeito
-- Artigo 17 do Palestine National Charter



Na mentalidade árabe a criação de um segundo estado árabe-palestino sempre foi apenas "um meio para continuar nossa luta contra o Estado de Israel". E desde 1964 até os dias de hoje nada mudou. 
Em julho de 2013 o "presidente" da Autoridade Nacional Palestina declarou a um jornal árabe que palestinos e jordanianos são a mesma coisa, mas afirmou que a Jordânia não será o estado "palestino":


عباس اكد ان الكونفدرالية او الفدرالية غير مطروحة مع الاردن فنحن شعب واحد في دولتين وقد تجاوزنا كل ما يتعلق بالوطن البديل الى غير رجعة ولا توجد هجرات فلسطينية للاردن مطلقاً، فصمود شعبنا ندعمه بكل الاشكال


Já este vídeo de Abbas Zaki, membro do comitê central do "moderado" Fatah de Mahmoud Abbas, em uma entrevista na al-Jazira em 2011 é ainda mais claro:



...Quando dizemos que a solução deve ser baseada nessas fronteiras [de 1967], o presidente [Abbas] entende, nós entendemos e todos sabem que o "objetivo maior" não pode ser alcançado de uma vez só. Se Israel se retirar de Jerusalém, retirar 650.000 colonos e desmantelar o muro... o que será de Israel? O país acabará.

Quem está nervoso e irritado agora? Netanyahu, Lieberman, Obama... todos esses vermes.
... Nós deveríamos nos alegrar em ver Israel perturbado.
Se alguém disser que quer "varrer" Israel... é muito difícil. Não é [uma política] aceitável dizer isso. Não diga essas coisas ao mundo, guarde consigo. 
Eu quero as resoluções que todos concordam. Eu digo para o mundo, para o quarteto e para os EUA: vocês prometeram e se transformaram em mentirosos.





É a recusa do Ocidente em reconhecer esse fato, e em seu lugar deturpar totalmente a história da região e as causas do conflito no Oriente Médio, uma das principais razões pelas quais esse impasse cruel continua até hoje.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Deir Yassin, o massacre que não houve


Selos postais da Síria e da união das repúblicas árabes comemorando o "massacre" de Deir Yassin


Um exemplo prático de como uma mentira muitas vezes repetida acaba por se transformar em verdade oficial é o “massacre” de Deir Yassin, episódio da guerra que os árabes moveram contra os judeus logo após a aprovação do Plano de Partilha pela ONU.


Os anti-semitas, disfarçados de “anti-sionistas” e “apoiadores da causa palestina”, largam a designação “Deir Yassin” com ar profundo e indignado e, embora não tenham idéia do que realmente aconteceu, fazem de conta que sim e avançam alegremente pelo velhíssimo caminho da demonização do judeu.

Deir Yassin era uma aldeola árabe perto de Jerusalém, na estrada para Tel Aviv. Na primavera de 1948 os árabes tinham lançado a chamada “Guerra das Estradas” e a parte judaica de Jerusalém estava cercada exceto por essa estrada.

A 13 de Março de 1948, uma companhia árabe, constituída predominantemente por iraquianos tinha entrado na aldeia, com a intenção de fechar o garrote sobre Jerusalém.

Em 09 de Abril de 1948, uma companhia mista do Irgun e do Lehi atacou a aldeia a fim de a capturar e neutralizar os iraquianos.
Foram feitos avisos prévios à população de que devia abandonar a zona, agora transformada em alvo militar. De fato, a maioria da população saiu da aldeia.

Quando os paramilitares judeus chegaram foram recebidos a tiros pelos iraquianos, muitos dos quais tinham se vestido de mulheres e se protegiam no meio delas, ardil que, como sabemos, continua a ser usado tanto no Líbano quanto em Gaza.
Os judeus responderam, e nos combates que se seguiram, a unidade do Irgun sofreu pesadas baixas (50 homens) mas conseguiu finalmente neutralizar os iraquianos, capturando alguns ainda vestidos de mulher.
Quando já se tinham rendido, um grupo deles voltou a atacar com armas que mantinham escondidas debaixo das vestes. Muitos paramilitares do Irgun morreram e os restantes reagiram, matando todos os prisioneiros.

Quando o Haganah chegou à aldeia encontrou os civis mortos e passou a ideia de que tinha havido um massacre. Alguns investigadores entendem que esta posição da Haganah foi pensada, uma vez que por um lado tinha interesse em fazer fugir os árabes de certas aldeias, espalhando rumores sobre a ferocidade dos judeus, e por outro, convinha-lhe isolar o Irgun, numa luta interna de ordem ideológica, já que a Haganah era de esquerda e o Irgun de direita.
A Cruz Vermelha foi chamada ao local e não encontrou prova de qualquer massacre, conclusão corroborada por um estudo feito em Julho de 1999, por investigadores árabes da Universidade de Birzeit, de Ramalah, segundo o qual não houve qualquer massacre mas sim um confronto militar no qual morreram 107 árabes (incluindo os iraquianos) em consequência do fogo cruzado. Ou seja, o número de mortos é até inferior ao número de combatentes da companhia árabe que ocupou a aldeia.

De onde vem então a ideia do “massacre”?

Do mesmo local de onde vieram as ideias dos “massacres” de Jenin, e das manobras propagandísticas da ultima guerra com o Hezbolah: empolamento e distorção deliberadas para gerar indignação e estimular o ódio e a mobilização dos países árabes, neste caso a cargo da Rádio “Voz da Palestina”, cujo director, o Dr Hussein Khalidi afirmou que “nós temos o dever de capitalizar esta grande oportunidade”.

Na verdade foi com base na versão distorcida do Dr Hussein Khalidi que saiu um artigo no New York Times a divulgar ao mundo o “massacre” de Deir Yassin, suscitando várias declarações condenatórias das mais diversas personalidades.

Neste caso o tiro saiu aos árabes pela culatra, porque a distorção dos fatos lançou o pânico nos aldeões árabes, contribuindo para engrossar o número de refugiados.

Isto foi confirmado num documentário da PBS (Os 50 anos de Guerra, 1993) que registou depoimentos de moradores e protagonistas de Deir Yassin.


 Não houve estupros. É tudo mentira. Não foram esventradas mulheres grávidas. Era propaganda, para que os árabes fugissem e os exércitos árabes pudessem invadir e expulsar os judeus
Mohammed Radwan, combatente árabe de Deir Yassin, Middle East Times, 20 de Abril de 1998




 A rádio árabe falou de mulheres a serem mortas e violadas, mas não é verdade…eu creio que a maior parte dos que morreram eram combatentes e mulheres e crianças que os ajudaram. Os lideres árabes cometeram um grande erro. Exagerando as atrocidades eles pretendiam encorajar as pessoas a lutar, mas acabaram por criar o pânico e as pessoas fugiram
Ayish Zeidan, aldeão de Deir Yassin, Daily Telegraph, 8 Abril 1998





Entrevistas com testemunhas árabes começam em 2:18



Aliás Arafat, em sua biografia autorizada, diz que os exageros das histórias sobre Deir Yassin acabaram por provocar um efeito contrário daquele que se pretendia.

Deir Yassin não foi um massacre, tal como Jenin não foi um massacre, mas sim construções propagandísticas tendo em vista objetivos de guerra psicológica. Os muçulmanos fazem isto constantemente, procurando manipular as receptivas opiniões públicas ocidentais, jogando com os nossos interditos e tabus.
Os exemplos são vastos: usar escudos humanos, fazer explodir crianças, atacar deliberadamente alvos civis, transformar locais de culto, escolas e hospitais em posições de combate, louvar o culto da morte, etc.

Dias depois de Deir Yassin, deu-se um verdadeiro massacre que todavia está dentro do vasto recipiente de amnésia localizada ao dispor dos “apoiadores da causa palestina” (ódio a Israel, em português). Uma coluna médica do Hospital Hadassah, foi atacada e metodicamente executados 77 médicos, enfermeiros e estudantes.
Mas destes não reza a história... eram meros "porcos judeus".


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Revisionismo palestino: em busca de uma história




O revisionismo histórico é a espinha dorsal do discurso político e acadêmico palestino. É assim que seus líderes tentam criar uma história "árabe palestina" e uma identidade própria, distinta do violento colonialismo da história árabe-islâmica no Levante.

Os árabes "palestinos" são uma criação recente e sequer existiam antes da criação da OLP em 1965. Um bom exemplo disso é a resolução 194 da ONU (1948) que trata dos refugiados que deixaram o local após a guerra que os países árabes  travaram contra Israel logo após sua independência: os refugiados não eram chamados de "refugiados palestinos", o que faria referência a uma identidade nacional, mas sim de "refugiados da palestina", referindo-se a geografia -- simplesmente o lugar de onde saíram.

Um dos métodos desta tentativa de criar uma história palestina é apresentar Jesus -- que de acordo com as escrituras cristãs era um judeu vivendo na terra da Judéia -- como um palestino, ao mesmo tempo em que o transformam em um profeta islâmico e se apropriam de conceitos cristãos.

 Jesus é um palestino; o abnegado Yasser Arafat é um palestino; Mahmoud Abbas, o mensageiro da paz na terra, é um palestino. Quão grande é esta nação da Santíssima Trindade! "
Al-Hayat Al-Jadida (Jornal oficial do Fatah e da Autoridade Palestina), 30 novembro 2012


Pois é, na "Santíssima Trindade" do jornal da Autoridade Palestina, Jesus é apenas Jesus. Já Arafat era "abnegado" e Mahmoud Abbas o "mensageiro da paz na terra"!



Jesus sendo comparado a terroristas palestinos presos em Israel







Líder religioso muçulmano diz que Jesus era um profeta islamico palestino

Jesus, o palestino

 
Jesus retratado como um terrorista suicida palestino


Eis que o Natal se aproxima, e junto com ele vem a já tradicional falsificação da história por parte da liderança árabe muçulmana, que apresenta Jesus como um árabe-cananeu-muçulmano-palestino (!).

No início de 2013, graças a um artigo no jornal oficial da Autoridade Palestina al-Hayat al-Jadida, o mundo inteiro descobriu que a história de Jesus "reflete a narrativa palestina". A manchete "A ressurreição de Jesus, a ressurreição do Estado" deixa claro que Jesus e a Autoridade Palestina são um, e que estão unidos para sempre - uma tentativa um tanto patética de convencer os cristãos (em plena Páscoa!) de que eles na verdade são muçulmanos e que o movimento sionista moderno roubou os "palestinos" de sua história.

Segundo o artigo, na verdade a "Páscoa é um feriado para o nacionalismo palestino, porque Jesus, que descanse em paz, é um cananeu palestino". O autor substituiu o Jesus judeu por um Jesus "palestino" -- mais adequado à propaganda árabe --, reescrevendo os Evangelhos que, logo em seus primeiros capítulos, falam dos registros genealógicos de Jesus e se referem ao seu local de nascimento como "Belém da Judéia".


 Depois que Jesus nasceu em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do oriente chegaram a Jerusalém (Mateus 2:1)
Enquanto a tradição cristã e os escritos históricos do período retratam Jesus como um judeu vivendo na terra da Judéia (um dos reinos dos judeus), a Autoridade Palestina diz que ela e seu povo são seus verdadeiros descendentes. Esta não é apenas uma distorção da história pessoal de Jesus como relatado nos escritos cristãos, é também um anacronismo: o imperador Adriano mudou o nome da Judéia/Israel para "Palestina", a fim de punir a nação judaica depois que estes se rebelaram contra os ocupantes romanos, 136 anos após o nascimento de Jesus.


al-Hayat al-Jadida e seu Jesus palestino

"A visita do Papa é uma oportunidade para a liderança palestina apresentar sua causa... para que Sua Excelência [o papa] assuma a sua responsabilidade política e religiosa para com o povo da Terra Santa, o povo árabe palestino, o povo do Messias [Jesus]."
Al-Hayat Al-Jadida (Fatah), 9 de maio de 2009

"Os palestinos estão acostumados ​​com mortes como esta. O sofrimento do primeiro palestino -- o Messias -- começou com a Última Ceia."
Al-Hayat Al-Jadida (Fatah), Abril 30, 2008

"O Cristianismo nasceu em nossos países árabes e o Messias [Jesus] é um palestino sírio, nascido em Nazaré."
Al-Hayat Al-Jadida (Fatah), outubro 28, 2006

"O Shahids (mártires) vão chorar: 'Nós balançamos as palmeiras ao lado de Senhora Terra e da Senhora do povo, a Virgem Maria, e com seu filho [Jesus], o primeiro shahid (mártir) palestino."
Al-Hayat Al-Jadida (Fatah), 17 de janeiro de 2005

"A aldeia palestina da Galiléia e de Kfar Kana se orgulham do fato de que [na aldeia] o messias palestino [Jesus] conseguiu transformar água em vinho."
Al-Hayat Al-Jadida (Fatah), 17 de janeiro de 2005

"Eles [os cristãos] lêem no livro sagrado [a Bíblia] o nome "Palestina" e os verdadeiros nomes [árabes] de nossas aldeias e cidades ... Não devemos esquecer que o Messias [Jesus] é palestino, o filho de Maria, a Palestina."
Al-Hayat Al-Jadida (Fatah), 18 de novembro de 2005



Mufti (autoridade religiosa islâmica) diz que Jesus era um profeta muçulmano palestino

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Selos postais da Palestina sob mandato britânico


A imagem acima mostra duas versões de um selo postal emitido na Palestina durante o mandato britânico, em 1927. Do lado esquerdo vemos o original, com inscrição em hebraico (junto com as letras "אי", que significam "Terra de Israel" ארץ ישראל) e árabe. No lado direito vemos como o mesmo selo foi publicado na capa de livros escolares árabes: com a inscrição em hebraico apagada. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Folha de São Paulo e a Palestina: Desonestidade em imagens

O mapa abaixo é bastante popular entre aqueles que acusam o “colonialismo” e o “expansionismo” israelense. [Folha de São Paulo: Veja evolução do mapa israelo-palestino desde resolução de 1947]

Ele mostra:
áreas habitadas por judeus como "território judaico";
áreas habitadas por árabes como "território palestino";
e áreas inabitadas também como "território palestino".




Acontece que "Palestina" era um termo genérico usado para dar nome aquela região, não importando se sob controle árabe-muçulmano, cristão ou judeu. Logo, chamar de "território palestino" só o que não estava sob controle judaico dá a entender – de forma enganosa – que tudo aquilo em verde era território árabe. Na verdade, a maior parte desse território era desértica e inabitada. Outro fato importante é que, naquela época, só os judeus se consideravam 'palestinos'. Os muçulmanos da Palestina se consideravam sírios [2] e acusavam os judeus de inventar uma tal “Palestina” que jamais existiu.

A Palestina histórica, que de acordo com o historiador Bernard Lewis nunca foi um país e que sequer tinha fronteiras, também incluía a Jordânia:


Esses mapas mostram que o Estado Judeu deveria ocupar não só todo o território de Israel (incluídos aí os "territórios ocupados") como também toda a Jordânia. Para apaziguar os árabes, os ingleses dividiram o futuro estado de Israel em 3 – 1 judaico e 2 árabes. Israel, Jordânia e "Palestina".

Em 1922, os ingleses criaram a Transjordânia, usando 80% do que fora território histórico da Palestina e o Lar Nacional Judaico (assim definido pela Liga das Nações). O assentamento judaico na Transjordânia foi proibido. As Nações Unidas dividiram os 20% restantes da Palestina em dois países. Com a anexação da Cisjordânia pela Jordânia, em 1950, e o controle de Gaza pelo Egito, os árabes passaram a controlar mais de 80% do território do Mandato, enquanto o Estado judeu manteve apenas 17,5%



A diminuição do território “palestino”
As fronteiras de Israel foram determinadas pelas Nações Unidas quando esta adotou a resolução sobre a partilha em 1947. Numa série de guerras defensivas, Israel conquistou mais território e, em numerosas ocasiões, retirou-se dessas áreas. Como parte do acordo de 1974 para o encerramento das hostilidades, Israel devolveu à Síria territórios ocupados nas guerras de 1967 e 1973.
Conforme os termos do tratado de paz israelense-egípcio de 1979, Israel se retirou da península do Sinai pela terceira vez – já havia se retirado de grandes áreas do deserto que ocupara em sua Guerra de Independência. Após conquistar todo o Sinai no conflito de Suez em 1956, Israel devolveu a península ao Egito um ano depois.

Atualmente, aproximadamente 
93% dos territórios conquistados em guerras defensivas foram entregues por Israel a seus vizinhos árabes, como resultado de negociações, o que demonstra o seu desejo de negociar a paz.

Em 1967, quando terminou a Guerra dos Seis Dias, o vitorioso Estado de Israel havia capturado mais de três vezes a dimensão do seu território anterior. Dos seus 20.720 km2 iniciais Israel tinha agora 67.340 km2. E o que fez o Estado Judeu? Embora pelo Direito Internacional e a partir de uma guerra defensiva, Israel pudesse anexar vastas áreas ao seu território, o país limitou-se quase que unicamente a unificar 
Jerusalém, que pela partilha original da ONU não ficaria sob controle de nenhuma das partes. Ou seja, não há “ocupação” em Jerusalém - cidade que tinha uma maioria judaica considerável mais de 50 anos antes da primeira convenção sionista. (ver Karl Marx escreveu sobre a maioria judaica em Jerusalém antes do sionismo)

Como comparação, na ‘Guerra do Paraguai’, Brasil e Argentina dividiram entre si 40% do território paraguaio. E não houve devolução de territórios...


Ocupação?
Em política, as palavras são importantes e, infelizmente, o seu mau uso quando aplicadas ao conflito árabe-israelense tem criado percepções que colocam Israel em desvantagem. Como no caso do termo "Cisjordânia", a palavra "ocupação" tem sido seqüestrada por aqueles que desejam pintar Israel da maneira mais negativa possível. Essa palavra também dá aos seus defensores um meio de tentar explicar o terrorismo como "resistência à ocupação", como se mulheres e crianças assassinadas por terroristas suicidas em ônibus, pizzarias e centros comerciais fossem responsáveis pela situação dos árabes. Dadas as conotações negativas de um "ocupante", não é de se surpreender que porta-vozes árabes usem essa palavra, ou algumas variantes, tantas vezes quantas forem possíveis quando são entrevistados.

A descrição mais precisa dos territórios em Judéia e Samaria é de territórios "em disputa". De fato, a maior parte dos territórios em disputa ao redor do mundo não é considerada como ocupada pela parte que os controla. Isso se aplica, por exemplo, a duramente contestada região da Cachemira.

FROM "OCCUPIED TERRITORIES" TO "DISPUTED TERRITORIES
DISPUTED TERRITORIES: Forgotten Facts About the West Bank and Gaza Strip




O resultado de mentiras e meias-verdades como as dos mapas do topo é uma inversão moral fabulosa: os israelenses, atacados pelos árabes em todas as guerras e dispostos a devolver tudo o que conquistaram legalmente, se tornam “colonialistas” porque, afinal, os “palestinos” têm que aparecer na imprensa sempre como vítimas da “ocupação” israelense.

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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Jerusalém e os muçulmanos

Monte do Templo (Domo da Rocha e mesquita al-Aqsa), década de 1950


Em tempos em que a verdade e fatos históricos cedem cada vez mais a clichês, essa foto vem e nos lembra que nem toda a propaganda do mundo pode reescrever a história sem antes destruí-la.

Hoje em dia é muito comum ouvir que "Jerusalém é uma cidade sagrada para as três religiões abraâmicas" e que a cidade é "a terceira mais sagrada" para os muçulmanos, mas a foto acima, com a mesquita de al-Aqsa totalmente abandonada, é um emblema da real importância que a cidade tem para os muçulmanos. E essa foto foi tirada durante a ocupação jordaniana da cidade, entre 1948 e 1967!

Jerusalém no islamismo

O que Jerusalém representa para o Islã e qual a sua importancia na história muçulmana? 

-- A cidade nunca serviu como capital de um estado soberano muçulmano (apesar de mais de mil anos de ocupação árabe)
-- Não é mencionada nenhuma vez nas orações e nem no Corão (uma comparação que torna este ponto ainda mais claro: Jerusalém aparece na Bíblia hebraica 669 vezes e Sião, que normalmente significa Jerusalém e, por vezes, a Terra de Israel, aparece outras 154 vezes. Ou seja: 823 vezes no total); 
-- Não está ligada a nenhum evento da vida de Maomé


Durante a ocupação muçulmana, os árabes fizeram da cidade de Ramla a capital da província palestina. 
Os muçulmanos costumam trazer a Sura 17:1, que fala da "mesquita mais distante", como prova de que Jerusalém está no Corão. Acontece que essa "interpretação" só foi criada no ano de 682, durante o califado omíada, quando Ibn al-Zubair se rebelou contra os governantes omíadas em Damasco e conquistou a cidade de Meca. Por causa disso, o califa, que precisava de um local alternativo para a peregrinação islâmica, resolveu que seus súditos deveriam ir para Jerusalém, que estava sob seu controle. Para justificar esta mudança, a passagem 17:1 do Corão foi reinterpretada para se referir a Jerusalém -- passagem esta que originalmente se referia a uma mesquita na cidade de Medina, na Arábia Saudita. 

De acordo com Ahmad Muhammad 'Arafa, colunista do semanário egípcio al-Qahira -- que é publicado pelo Ministério da Cultura Egípcio --, o que hoje chamamos de mesquita al-Aqsa é na verdade a "mesquita de Aelia" -- do nome "Aelia Capitolina", que foi como o imperador romano Adriano renomeou a cidade depois da revolta de Bar Kokhba. Como punição aos rebeldes judeus, ele renomeou Jerusalém como Aelia Capitolina, a terra de Israel como Síria Palestina e proibiu toda e qualquer prática judaica na região. 

nos dias de hoje: crianças muçulmanas jogam futebol no "terceiro lugar mais sagrado para o islamismo"