sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Judéia e Samaria: Os assentamentos israelenses são mesmo ilegais? Eles violam a Convenção de Genebra?



Esse mito é um dos mais difundidos na mídia por ser uma das principais cartadas políticas da Autoridade Palestina. É uma mentira tão amplamente aceita que raramente é discutida em quaisquer círculos.

Os dois argumentos legais usados contra os assentamentos baseiam-se em duas convenções internacionais, as Convenções de Haia, de 1899 e 1907, e a Quarta Convenção de Genebra de 1949.

A violação da primeira é menos citada e mais simples de refutar. Estabelecidos em 1899 e 1907 como um primeiro esforço formal no estabelecimento das leis de guerra, os artigos das Convenções de Haia que lidam com a situação de refugiados e terras ocupadas foram claramente voltados para ocupações breves e em situações até então conhecidas em conflitos, visando proteger os interesses dos soberanos das regiões ocupadas.

Logo após a vitória devastadora da Guerra dos Seis Dias, governo e população israelense acreditavam que o mundo árabe aceitaria negociações e acordos de paz em troca das terras capturadas. Nunca perdendo uma oportunidade de perder uma oportunidade, os líderes árabes reuniram-se na notória Conferência de Cartum e estabeleceram os três princípios que regulariam as ações do pós-guerra: não fazer a paz com Israel, não reconhecer Israel, não negociar com Israel. O país ficou em uma posição curiosa e talvez única ao longo da história, disposto a retornar as terras conquistadas em troca de paz, mas sem ninguém interessado em receber.

Diante dos "três nãos" do mundo árabe, a situação claramente se perpetuaria por vários anos. A ligação histórica com Jerusalem levou à construção de vários bairros e a unificação com o lado ocidental da cidade, dentro das fronteiras israelenses. Terras na Cisjordânia, Sinai e principalmente o Golan receberam diversos assentamentos por razões estratégicas, históricas e religiosas. O Sinai acabou sendo retornado ao Egito depois do acordo de paz feito pelo presidente Anwar Sadat, que pagou com a própria vida por romper o acordo com os outros líderes árabes ao ser assassinado pela Jihad Islâmica.


A inadequação e obsolescência das Convenções de Haia quanto a questão é patente. Mesmo sem ser signatário, Israel reconhece a autoridade e em vários aspectos é um dos poucos países em conflito que respeita vários artigos frequentemente deprezados. Por exemplo, o estabelecimento da administração militar na Cisjordânia torna Israel um dos poucos países de acordo com as convenções. Até o estabelecimento da Autoridade Palestina, Israel continuou seguindo as leis jordanianas de acordo com o artigo 43, mesmo com a Jordânia tendo ocupado ilegalmente a região em 1948.

O argumento frequentemente usado é o artigo 46, que proíbe o ocupante de confiscar propriedades privadas. O argumento é simplesmente falso, já que a maioria dos assentamentos são estabelecidos em áreas públicas municipais. Propriedades privadas podem ser requisitadas para uso estratégico mediante compensação, mas desde 1979 a Suprema Corte de Israel determinou que autoridades militares não podem requisitar terras particulares para estabelecer assentamentos civis. Vale a pena notar que uma das bases de tal decisão são as Convenções de Genebra, que explicarei mais adiante.

Apesar de legal, o estabelecimento de assentamentos em áreas públicas pode não ser justo por problemas legais envolvendo a posse das terras. Em um post anterior elucidei a questão da posse privada e pública de terras desde o mandato britânico. Em alguns casos pode não haver a possibilidade de comprovar a posse legítima das terras, que pode remontar ao regime praticamente feudal do Império Otomano, tampouco o pagamento de impostos que legitimaria o uso de terras públicas. Esses casos costumam gerar mais controvérsia, mas são de difícil solução legal. Um dos maiores assentamentos judaicos foi estabelecido em terras nessas condições, a cidade de Ma'ale Adumin.

Um detalhe raramente mencionado é que uma pequena parte das terras requisitadas para fins militares são propriedade particular de judeus, e têm preferência em alguns casos justamente pela menor dificuldade dos trâmites legais.


As complicações legais inerentes a questão da posse de terras faz com que o argumento mais utilizado contra os assentamentos seja mesmo o artigo 49 da 4° Convenção de Genebra, especificamente os parágrafos 1 e 6:

"As transferências forçadas, em massa ou individuais, bem como as deportações de pessoas protegidas do território ocupado para o da Potência ocupante ou para o de qualquer outro país, ocupado ou não, são proibidas, qualquer que seja o motivo.

"A Potência ocupante não poderá proceder à deportação ou à transferência de uma parte da sua própria população civil para o território por ela ocupado. 


Geralmente os argumentos assumem que a validade legal do artigo à questão dos assentamentos seja tão cristalina que não exija quaisquer explicações, o que está longe de ser o caso. Tais artigos foram estabelecidos logo após a segunda-guerra, determinando claramente que a transferência forçada é ilegal, tendo em mente os atos praticados pela Alemanha Nazista, como a transferência da população judaica para campos de extermínio e trabalhos forçados na Polônia, a evacuação da população alemã para países escandinavos diante da invasão soviética, etc.

O grande problema é que os assentamentos judaicos em Israel não são uma transferência forçada, pelo contrário, são movimentos voluntários. Vários assentamentos foram estabelecidos sem permissão, em condições ilegais, acabando reconhecidos posteriormente em decisões judiciais ou atos políticos que consideraram as questões de posse de terras mencionadas acima. Muitos desses assentamentos são justamente de famílias judaicas que viviam na Cisjordânia e foram expulsas ou perseguidas pela população árabe antes da independência de Israel e esperavam um retorno.

A cidade de Hebron é um excelente exemplo. Em 1929 o massacre incitado pelo Mufti de Jerusalém à população judaica da cidade levou os sobreviventes a fugirem de suas propriedades. Após a independência de Israel, muitos retornaram. Até hoje sobreviventes e descendentes vivem divididos quanto a retornar, e uma minoria estabelecida necessita de constante proteção militar, que gera mais violência dos dois lados.

Placas como essa estão presentes em diversos pontos da cidade de Hebron. Elas marcam terras que foram compradas por judeus, em 1807, e tomadas pelos árabes em 1929, depois que eles massacraram a população judaica da cidade

Uma ironia interessante é que o parágrafo 6 do artigo 49 foi proposto justamente por um judeu dinamarquês diante da situação dos cidadãos alemães que em 1948 ainda estavam em campos de concentração escandinavos aguardando deportação para a Alemanha. Sabendo que os soviéticos atacariam a população civil o governo nazista tentou evacuar a população do leste do país antes da invasão. Com os danos à infra-estrutura de transportes essa população foi deixada em outros países, em vários casos expulsando a população local.

O artigo aplica-se claramente a vários casos de transferência forçada de populações desde a Segunda Guerra Mundial. A emigração forçada da Rússia para os Balcãs promovida pela União Soviética, da China para o Tibet, do Marrocos para o Sahara Ocidental, etc. Nenhum desses casos é denunciado com base no mesmo artigo usado para atacar Israel.

A insistência nesse argumento é um exemplo claro do anti-semitismo velado de muitas críticas a Israel, simples de demonstrar. Se um árabe-israelense cuja família seja nativa do Iraque ou qualquer outro país desejar se mudar voluntariamente para qualquer parte da Cisjordânia, Faixa de Gaza ou Golan, absolutamente ninguém no mundo alegará que ação é ilegal. Se um judeu descendente da população judaica expulsa dessas regiões entre 1929 e 1948 deseja retornar à terra de seus pais e faz o mesmo, a ação será denunciada como ilegal.

As constituições dos países árabes e a fantasia de democracia na região

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O Corão é a constituição oficial do Arábia Saudita e a fonte de direito civil


O aspecto comum nas constituições de todos os países árabes  é o Islã ser a religião do estado. Até aí, não há maiores problemas, pois há países democráticos que possuem uma religão de estado. Entretanto, em várias das constituições, além da determinação de que o Islã é a religião do estado, há determinação no sentido de que a Sharia (lei islâmica) é a principal fonte do direito. E, nesse caso, a democracia mostra-se inviável, pois a fonte primaz do direito é, por definição, excludente, o que impede, também por definição, a participação de todos, indistintamente, no processo político. E, por processo político não se entenda apenas eleições. As eleições, conquanto livres, são só um passo no processo político democrático.

O método de análise utilizado foi o seguinte: Se, ao consultar a constituição de determinado país, deparamo-nos com um dispositivo determinando ser a Sharia a fonte principal do direito, isso já é o suficiente para eliminar a possibilidade desse país ser minimamente democrático. Se não há tal determinação, a análise continua, passando pelos direitos e garantias individuais e pelas disposições sobre o poder executivo e o chefe de governo.


Comecemos com as constituições que dispõem expressamente que a Sharia é a fonte principal do direito:

Iêmen
Artigo 3º: A Sharia islâmica é a fonte de toda a legislação

Arábia Saudita
Artigo 1º: O Reino da Arábia Saudita é um estado árabe islâmico soberano com o Islã como sua religião; o Livro de Deus (Corão) e a Sunnah de Seu Profeta, orações de Deus e a paz esteja sobre ele, são a sua constituição, o árabe é sua língua e Riad é a sua capital

Aqui a Sharia não só é a fonte principal do direito; é a própria constituição.

Síria
Artigo 1º
(1) A República Árabe da Síria é um Estado popular, socialista, democrático e soberano. Nenhuma parte do seu território pode ser cedida. A Síria é um membro da União das Repúblicas Árabes.
(2) A região Árabe Síria é uma parte da pátria árabe.
(3) As pessoas na região Árabe Síria são uma parte da nação árabe. Elas trabalham e se esforçam para alcançar a unidade abrangente da nação árabe.

Na Síria, não só a jurisprudência islâmica é principal fonte do direito, mas a constituição define o estado como socialista. Democracia mandou um abraço.

Sudão
Artigo 5º
A legislação nacional promulgada com efeito apenas em relação aos estados do norte do Sudão terá como suas fontes de legislação islâmica  a Sharia e o consenso do povo.

Kuwait
Artigo 2º: A religião do Estado é o Islã, e a Sharia islâmica será a principal fonte de legislação.

Emirados Árabes Unidos
Artigo 7º: O islamismo é a religião oficial da União. A Sharia islâmica será a principal fonte da legislação na União. A língua oficial da União é o árabe.

Barém
Artigo 2º: A religião do Estado é o Islã. A sharia islâmica é a principal fonte de legislação. A língua oficial é o árabe.

Catar
Artigo 1º: O Catar é um estado árabe independente. O Islã é a religião do Estado e a sharia islâmica é a principal fonte de suas legislações. Ele tem um sistema político democrático. A língua oficial é o árabe. O povo de Qatar é parte da nação árabe (ummah).

Omã
Artigo 2º: A religião do Estado é o Islã e a sharia islâmica é a base da legislação.


Passando aos países cuja constituição não define expressamente a Sharia como fonte do direito, temos o seguinte:

Argélia
Artigo 2º
O Islã é a religião do Estado.

Artigo 9º
As instituições não são permitidoa:
- Práticas de nepotismo, regionalistas e feudais;
- A criação de relações de exploração e de ligações de dependência;
- Práticas que são contrárias à ética islâmica e aos valores da revolução de novembro

No caso da Argélia, vemos que a constituição proíbe instituições que sejam contrárias à ética islâmica. Dessa forma, ainda que a constituição não afirme expressamente que a principal fonte do direito é a Sharia, toda a vida política e civil do país é passível de ser limitada por valores religiosos, impedindo que liberdades elementares sejam exercidas.


De acordo com o governo dos Estados Unidos, a "constituição da Jordânia estabelece que a religião do estado é o Islã, mas prevê a liberdade de praticar os ritos de outras religiões (desde que reconhecidas pelo Islã e, consequentemente, pelo estado) e fé, de acordo com o costumes que são observados no reino, a menos que eles violem a ordem pública ou moralidade. A constituição observa que a religião do estado é o Islã e que o rei deve ser muçulmano e que o governo concede primazia à Sharia (lei islâmica). 
A constituição também estipula que não haverá discriminação nos direitos e deveres dos cidadãos em razão da religião, no entanto, a aplicação da Sharia pelo governo infrinje as liberdades e direitos religiosos estabelecidos na constituição,  proibindo a conversão de um muçulmano para outra religião e permitindo a discriminação religiosa de minorias em algumas questões relativas ao direito de família. Os membros de grupos religiosos não reconhecidos também enfrentam discriminação legal."



Todos os paises acima mencionados são, atualmente, em maior ou menor escala, ditatoriais. Por mais que a onda iniciada na Tunísia e  no Egito continue se espalhando na região, o máximo que podemos esperar é a deposição do ditador atual. Porém, sem que a essas eventuais deposições sigam uma verdadeira reforma dos estados - passando, necessariamente, pela elaboração de novas constituições, os ditadores passarão, mas as ditaduras permanecerão. E a democracia permanecerá a ser, apenas, uma fantasia.

Faixa de Gaza - O que faz essa multidão diante de um míssil? Ou: “Cada árvore e cada pedra gritará: ‘Oh, Muçulmanos! Oh, servos de Alá! Há um judeu atrás de mim, venha e mate-o”




Milhares em uma praça de Gaza para saudar os 25 anos de Hamas e… o fim de Israel. Majestoso, um foguete assistia a tudo!
Khaled Meshaal, o líder mais importante do Hamas, que vive no Catar – esta estranha tirania que dá apoio à dita Primavera Árabe… –, visitou neste sábado a Faixa de Gaza. Falando a uma multidão, que se estimou em 500 mil pessoas, sob as bênçãos de um foguete M75, de fabricação iraniana, Meshaal deu a sua contribuição à paz: afirmou que o Hamas jamais reconhecerá Israel, que todo o território é palestino “do rio ao mar, do Sul para o Norte”, referindo-se ao Rio Jordão e ao Mar Mediterrâneo. Segundo ele, os palestinos não darão um centímetro de terra a Israel – que, nessa hipótese, desapareceria. “Nunca vamos reconhecer a legitimidade da ocupação israelense e, portanto, não há legitimidade para Israel”. Volto a ele daqui a pouco. Vamos lembrar aqui algumas coisinhas.

A ONU
Enquanto todos os progressistas e as pessoas boas do mundo, inclusive do Brasil, aplaudiam de pé a admissão da Autoridade Palestina como estado observador da ONU, eu, que não sou nem progressista nem bom (segundo os sábios da militância ao menos), advertia que as consequências caminhariam num sentido oposto ao pretendido. Haveria mais dissabores do que soluções. Aliás, fui mais longe do que isso e afirmei que mais lucrariam os terroristas do Hamas do que Mohamed Abbas, o presidente da Autoridade Palestina. Reproduzo um trecho do artigo publicado no dia 30 de novembro: 
“É uma tolice supor que a decisão de ontem vá fortalecer a sua posição [de Mohamed Abbas] contra o Hamas. A facção que governa Gaza também comemorou o resultado (…) É evidente que as nações que votaram em favor do reconhecimento expressaram uma espécie de censura ao país que se defende, o que é um escândalo moral. Como é o Hamas a força que hoje se apresenta para o confronto, mais os terroristas lucraram com o evento aloprado de ontem do que Abbas.”
Pois é…
Não tenho bola de cristal, só lógica elementar. Era, como se vem mostrando, estupidamente imprudente aceitar a existência de um estado que, por razões que nem preciso demonstrar, estado não é. Quando menos, seria necessário que esse ente estivesse sob um só comando, o que é falso. Os terroristas do Hamas governam a Faixa de Gaza; a Cisjordânia é governada pelo Fatah. Em seu discurso, Khaled Meshaal pregou a união das duas correntes. Como o Hamas não abre mão de sua forma de luta, o acordo só acontecerá se Abbas voltar ao terrorismo.
Pois é… Que sentido faz a ONU reconhecer a Palestina como estado, ainda que observador, se essa condição depende, necessariamente, de negociações bilaterais – no caso, com Israel? É evidente que se tratou de uma ação hostil, e isso sempre enseja reações. O governo israelense cortou repasse de recursos à Autoridade Palestina e decidiu construir mais três mil residências em Jerusalém Oriental, na Cisjordânia.
Ouvi certo alarido: “Você não vai condenar Israel? Não vai?”. É inegável que a decisão não colabora com a paz, mas me pergunto se alguém, de fato, esperava que não houvesse uma reação… Ora, se a Autoridade Palestina acha que o interlocutor não é Israel, por que Israel deve achar que é a Autoridade Palestina? Tem início a escalada da irracionalidade. E antevi alguma grande bobagem palestina como fruto da excitação. Pimba! Antes que continue, uma lembrança: o governo brasileiro, seguindo os passos de alguns outros, chamou o embaixador de Israel para cobrar explicações. Dos companheiros do Hamas, ninguém vai cobrar nada…
Os terroristas não querem negociar, deixa claro seu líder máximo. Querem a destruição de Israel e fim de papo! Eu sei disso faz tempo porque já li o Estatuto do Hamas, publicado neste blog.  O Artigo 2º é de lascar! Eis aí o que o PT gostaria de ser (em vermelho):

“Art. 2º O Movimento de Resistência Islâmica é um dos ramos da Irmandade Muçulmana na Palestina. A Irmandade Muçulmana é uma organização global (universal) e é o maior movimento islâmico nos tempos modernos. Ela se distingue por seu profundo entendimento e sua precisão conceitual e pelo fato de englobar a totalidade dos conceitos islâmicos em todos os aspectos da vida, em ideias e crença, na política e na economia, na educação e assuntos sociais, em matérias judiciais e em matérias de governo, na pregação e no ensino, na arte e nas comunicações, no que deve ser secreto e no que deve ser transparente, bem como em todas as áreas da vida.
Uau! É o que o PT quer ser quando crescer: cuidar de tudo! O que vai acima é a síntese de uma ditadura religiosa. Pois bem! A cada vez que leio sugestões para que Israel negocie com o Hamas, eu me lembro das palavras do seu estatuto. Logo na introdução, a gente lê:
“Israel existirá e continuará existindo até que o Islã o faça desaparecer, como fez desaparecer a todos aqueles que existiram anteriormente a ele.”

Leiam agora o que diz o Artigo 7º:

Art. 7º Em todos os países do mundo encontram-se muçulmanos que seguem o caminho do Movimento de Resistência Islâmica, e tudo fazem para apoiá-lo, adotando seu  posicionamento e reforçando a sua Guerra Santa (jihad). Por isso, é um Movimento universal, qualificado para esse papel devido à clareza de sua ideologia, superioridade de seus fins e sublimidade de seus objetivos. Nessas bases é que deve ser visto e avaliado, e é nessas bases que seu papel deve ser reconhecido.
(…)
o Movimento de Resistência Islâmica aspira concretizar a promessa de Alá, não importando quanto tempo levará. O Profeta, que as bênçãos e a paz de Alá recaiam sobre ele, disse: “A hora do julgamento não chegará até que os muçulmanos combatam os judeus e terminem por mata-los e mesmo que os judeus se abriguem atrás de árvores e pedras, cada árvore e cada pedra gritará: “Oh, Muçulmanos! Oh, Servos de Alá, há um judeu atrás de mim, venha e mate-o”.
Voltei
Esse é o Hamas que muitos pretendem que esteja se tornando menos radical. Quando a ONU reconhece o estado palestino como observador, queira ou não, está admitindo tanto esse horizonte como os métodos empregados para alcançá-lo.
Assim, saibam os senhores, enquanto o Hamas estiver no comando de uma parte do povo palestino, não há nem o que negociar. E o tal Khaled Meshaal deixou isso bastante claro! Ele foi mais longe: anunciou que o movimento pretende praticar novos sequestros de soldados israelenses para obter a liberação de terroristas palestinos presos.
Não obstante, quem é chamado a dar “explicações” no Brasil e em alguns outros países é Israel. O Hamas, como se nota, não precisa explicar nada. Basta tentar matar judeus atrás de pedras e árvores e cultuar um míssil com devoção quase religiosa.
Eis aí um dos desdobramentos práticos daquela votação irresponsável, que contou com o apoio entusiasmado do governo Dilma: em vez da paz, bomba!
Por Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Turquia x Chipre, uma comparação entre a "ocupação" israelense e a ocupação turca

Varosha-Chipre

Em face às recentes críticas de Ancara sobre o que chama de "prisão a céu aberto" de Israel em Gaza, realizadas na data de hoje, que marca o aniversário da invasão de Chipre pela Turquia, sua relevância é fora do comum.
A política turca frente a Israel, historicamente cordial e que apenas há uma década estava próxima a uma aliança total, esfriou desde que os islamistas tomaram o poder em Ancara em 2002. Sua hostilidade se tornou explícita em janeiro de 2009, durante a guerra Israel-Hamas. O Primeiro Ministro Recep Tayyip Erdoğan pomposamente condenou a política israelense como "perpetração de ações desumanas que levará a autodestruição" e até invocou Deus ("Alá irá... punir aqueles que transgridem os direitos dos inocentes"). Sua esposa Emine Erdoğan hiperbolicamente condenou as ações israelenses como sendo tão terríveis que "sequer podiam ser expressas em palavras".
Suas agressões verbais auguraram hostilidades adicionais que incluíram insultar o presidente de Israel, ajudar a patrocinar a "Flotilha da Liberdade" e chamar de volta o embaixador turco.
Essa fúria turca provoca uma pergunta: Israel em Gaza é realmente pior do que a Turquia no Chipre? Uma comparação mostra sua alta improbabilidade. Veja alguns contrastes:

* - A invasão turca de julho-agosto de 1974 envolveu o uso de napalm e "espalhou terror" entre os aldeões gregos cipriotas, de acordo com o Minority Rights Group International. Contrastando, a "batalha feroz" de Israel para tomar Gaza contou somente com armas convencionais e resultou virtualmente sem vítimas civis.
* - A ocupação subsequente de 37 porcento da ilha equipara-se a "limpeza étnica forçada" segundo William Mallinson em uma monografia que acaba de ser publicada pela Universidade de Minnesota. Contrastando, se alguém deseja acusar as autoridades israelenses de limpeza étnica em Gaza, ela foi contra seu próprio povo, os judeus, em 2005.
* - O governo turco tem patrocinado o que Mallinson chama de "política sistemática de colonização" em terras anteriormente gregas no norte de Chipre. Os turcos cipriotas totalizavam cerca de 120.000 em 1973; desde então, mais de 160.000 cidadãos da República da Turquia foram assentados em suas terras. Nem uma única comunidade israelense permanece em Gaza.
* - Ancara governa a zona ocupada com tanta rigidez que, nas palavras de Bülent Akarcalı, político veterano turco, "O Norte de Chipre é governado como se fosse uma província da Turquia". Um inimigo de Israel, o Hamas, governa em Gaza.
* - Os turcos montaram uma estrutura que faz de conta ser autônoma chamada de "A República Turca do Norte de Chipre". Os habitantes de Gaza desfrutam de uma verdadeira autonomia.
* - Um muro que atravessa a ilha mantém os pacíficos gregos fora do norte de Chipre. O muro de Israel exclui terroristas palestinos.
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E ainda temos a cidade fantasma de Famagusta, onde as ações turcas correspondem às da Síria sob os criminosos Assad. Após a força aérea turca ter bombardeado a cidade portuária cipriota, as forças turcas entraram para se apossarem dela, com isso impelindo toda a população grega (temendo um massacre) a fugir. As tropas turcas isolaram a área central da cidade, chamada Varosha e a ninguém é permitido morar lá.
Conforme esse centro grego em ruínas é invadido pela natureza, ele se torna uma bizarra cápsula do tempo de 1974. Steven Plaut da Universidade de Haifa visitou-a e relata: "Nada mudou. ... Diz-se que as agências de automóveis no centro fantasma, até os dias de hoje estão estocadas com modelos antigos de 1974. Por anos após o estupro de Famagusta, a população contava que ainda via lâmpadas acesas nas janelas dos edifícios abandonados".
Curiosamente, outra cidade fantasma levantina também data do verão de 1974. Exatamente 24 dias antes da invasão de Chipre pelos turcos, tropas israelenses evacuaram a cidade fronteiriça de Quneitra, entregando-a às autoridades Sírias. Hafez al-Assad optou, também por motivos políticos, não permitir que ninguém morasse lá. Décadas mais tarde, ela também permanece vazia, refém da beligerância.
Erdoğan alega que as tropas turcas não estão ocupando o norte de Chipre, e sim, estão lá na "Capacidade turca como potência garantidora", seja lá o que isso queira dizer. O mundo, no entanto, não é trapaceado. Se Elvis Costello cancelou recentemente um concerto em Tel-Aviv em protesto pelo "sofrimento dos inocentes [palestinos]," Jennifer Lopez cancelou um concerto no norte de Chipre em protesto à "violação dos direitos humanos".
Em suma, o Norte de Chipre compartilha características com a Síria que lembram muito mais uma "prisão a céu aberto" do que Gaza. Interessante que uma Ancara hipócrita se coloque no alto do pedestal dando lição de moral sobre Gaza mesmo que ela própria aja de forma bem mais agressiva na área que governa. Em vez de se intrometer em Gaza, os líderes turcos deviam acabar com a ocupação ilegal e destruidora que por décadas divide o Chipre de forma trágica.

Cristãos, os refugiados palestinos esquecidos

Por Daniel Schwammenthal*

Modern day Exodus: the Palestinian Christians


Encontro Yussuf Khoury, um refugiado palestino de 23 anos de idade. Não, ele não é um desses descendentes de refugiados que nasceram em campos administrados pelas Nações Unidas que jamais pisaram em sua alegada terra natal, mantidos na miséria eterna como arma publicitária contra Israel. Yussuf Khoury realmente fugiu de sua terra natal há apenas dois anos. Ele não estava fugindo de israelenses, mas de seus ‘irmãos’ palestinos em Gaza, buscando refúgio seguro na “ocupada” Margem Ocidental.


O crime de Khoury, no território administrado pelo Hamas, era ser um cristão. E essa grande transgressão foi agravada – aos olhos dos muçulmanos – quando souberam que ele escreveu poemas de amor.

Antes de fugir de Gaza,”muçulmanos do Hamas tentaram raptar-me duas vezes”, diz Khoury. Ele não quer saber o que lhe teria acontecido se tivesse sido sequestrado. Ele não vê sua família desde o Natal de 2007 e tem medo até mesmo de falar com eles por telefone.

Falando a um grupo de jornalistas estrangeiros na Faculdade Biblíca de Belém, onde reiniciou seu curso de teologia cristã, Khoury descreve uma vida de medo em Gaza. “Minha irmã está sob muita pressão por usar um véu. As pessoas estão se voltando cada vez mais para o fundamentalismo islâmico e a situação dos cristãos está muito difícil”, diz ele.

Em 2007, um ano após o Hamas ter assumido o poder, o dono da única livraria cristã de Gaza (Rami Khader Ayyad, de 32 anos) foi sequestrado e assassinado – encontrado morto com diversos tiros na cabeças e seu corpo com diversas perfurações a facas. Lojas e escolas cristãs foram bombardeadas. Não é de se admirar que a maioria dos amigos cristãos de Khoury também deixaram Gaza.

Nas raras vezes em que a midia ocidental divulga a situação dos cristãos nos territórios palestinos e em outras em sociedades árabes é para acusar Israel e seu “muro de separação”. No entanto, até que grupos terroristas palestinos começaram a usar Belém como refúgio seguro e trampolim para ataques suicidas à Israel. Antes, os habitantes de Belém eram livres para entrar e sair de Israel quando desejavam, com as mesmas facilidades com que muitos israelenses rotineiramente visitavam Belém.

Outra verdade, geralmente ignorada pelo Ocidente e raramente divulgada pela imprensa, é que a barreira de proteção ajudou a restaurar a calma e segurança não somente em Israel, mas também na Cisjordânia, e Belém. A Igreja da Natividade, que terroristas palestinos invadiram e profanaram em 2002, para escapar das forças de segurança israelenses, está novamente cheia de turistas e peregrinos de todo o mundo.

No entanto, mesmo na cidade onde Jesus nasceu, que está sob o controle da Autoridade Palestina, os cristãos vivem diariamente no fio da navalha. Khoury diz-nos que “…frequentemente os muçulmanos ficam em frente do portão do Colégio Biblíco, lendo o Alcorão em voz alta para intimidar os estudantes cristãos. Outros muçulmanos colocam seus tapetes de oração na Praça da Manjedoura.” Perguntado sobre o motivo dos muçulmanos rezarem tão perto de um dos lugares mais sagrados do cristianismo, o Pastor Alex Awad, decano dos estudantes da Faculdade Biblíca, diplomaticamente, aconselha-nos a apresentar esta questão aos próprios muçulmanos. Consciente da precária situação de sua comunidade, ele, como a maioria dos representantes dos palestinos cristãos, faz uma pausa e salienta que “…qualquer problema que os cristãos possam ter com seus vizinhos muçulmanos, não é culpa da ANP”.

“Os muçulmanos e os cristãos vivem aqui em relativa harmonia”, diz ele a imprensa, acrescentando apenas que os cristãos “sentem a pressão do Islã… Existe intimidação e fanatismo, mas estes são casos isolados e não há nenhuma perseguição geral.”

Samir Qumsieh, fundador do que ele diz ser a única estação de TV cristã da Terra Santa, enfatiza que não há sofrimento “cristão” e que os problemas dos cristãos não são orquestrados pela ANP. No entanto, suas histórias de roubo de terras, espancamentos e intimidações pintam um quadro bem diferente. Se a Autoridade Palestina realmente não aprovam tais injustiças, por que faz tão pouco para reprimi-las?

Só recentemente alguns cristãos começaram a falar sobre como gangues de muçulmanos simplesmente invadem e tomam posse de suas terras, e como os serviços de segurança palestinos – formados em quase sua totalidade por uçulmanos – não fazem absolutamente nada para reprimir esses roubos.

O Sr. Qumsieh nos fala sobre um homem cristão que foi raptado e torturado por muçulmanos em Hebron, e que a polícia palestina, mesmo sabendo do ocorrido e dos autores do crime, nada fez. Sua própria casa foi bombardeada há três anos e os autores jamais foram capturados. “Nós jamais sofremos como estamos sofrendo agora”, confessa Qumsieh, violando a sua própria advertência introdutória aos correspondentes estrangeiros, para não usarmos a palavra “sofrimento.”

Sempre uma religião minoritária entre os palestinos predominantemente muçulmanos, os cristãos estão, nas palavras do Sr. Qumsieh, “derretendo-se”, até mesmo em Belém. A 60 anos os cristãos representavam aproximadamente 80% da população de Belém, hoje são cerca de 20%, e diminuíndo rapidamente. Isto é resultado não somente da alta natalidade dos muçulmanos como também pela generalizada emigração cristã.

“Nosso futuro como comunidade cristã aqui é sombrio”, disse o Sr. Qumsieh.

O mundo continua ignorando os cristãos palestinos. Por que o sofrimento de palestinos não imputável a Israel não está registrado na consciência coletiva ocidental é uma pergunta que poucas pessoas parecem dispostas a fazer.





* Daniel Schwammenthal é editor do The Wall Street Journal Europa


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

The Economist: Palestinos estão entre os mais obesos do mundo


De acordo com o jornal britânico The Economist, os palestinos então entre as populações mais obesas do mundo -- as mulheres estão em terceiro lugar (42.5% das palestinas são consideradas obesas) e os homens palestinos estão em oitavo lugar (23.9%).




Já de acordo com os números da UNRWA (órgão da ONU responsável por perpetuar indefinidamente os "refugiados palestinos"), a taxa de obesidade na Faixa de Gaza está em 34% para os homens e em 41,6% para as mulheres. Na Cisjordania 28,7% dos homens e 52,6% das mulheres são obesos.




Colunista egípcio sobre o bloqueio israelense/egípcio de Gaza: "Devemos [o povo egípcio] rezar a Alá para nos prejudicar com tal bloqueio"



 Tomates em um suq [mercado] na Faixa de Gaza


Em sua coluna no jornal egípcio Rooz al-Yousuf, no dia 29 de junho de 2010, Muhammad Hamadi apresentou estatísticas de um site do Hamas mostrando que, apesar de toda a conversa sobre um bloqueio a Faixa de Gaza, e em contraste com alegações de que o Egito tem um culpa na fome do povo palestino, há tantos bens de consumo em Gaza que a oferta é maior do que a demanda -- e, como resultado, o preço de aves e carne de boi é mais baixo lá do que no Egito.



Segue abaixo a tradução de trechos do artigo.

O Hamas "passou para a resistência online e na mídia"
"Depois que o movimento [Hamas] abandonou a resistência real e virou-se para a resistência virtual e nos meios de comunicação, um dos muitos sites do Hamas publicou um importante relatório comparando os preços de bens de consumo no Egito e em Gaza."

"O relatório afirma: um quilo de melancia em Gaza custa menos do que uma lira egípcia, enquanto no Egito custa mais de duas liras; um quilo de tomates em Gaza custa menos de metade de uma lira, enquanto no Egito custa 1,50 lira; um quilo de batatas em Gaza custa metade de um lira, enquanto no Egito custa duas liras; um quilo de cebolas em Gaza é uma lira, enquanto no Egito um quilo de cebolas custa 1,50 lira; um quilo de alho em Gaza custa 10 liras egípcias, enquanto que no Egito o mesmo produto custa 15 liras."

 A fartura em Gaza contrasta com a escassez de alimentos no Egito


"Um quilo de carne de frango no Egito custa 20 liras, e em Gaza o mesmo produto sai por apenas 10 liras. O preço médio de um quilo de carne no Egito é de 60 liras, enquanto na Gaza 'sitiada' ele sai por cinco liras. Uma bandeja de ovos no Egito custa 19 liras, enquanto em Gaza é apenas 10 liras."


De que bloqueio eles estão falando?
"Essa comparação de preços entre o Egito e a Faixa de Gaza, que foi sitiada por três anos -- ou assim eles dizem -- mostra que a vida em estado de sítio é mais barata, mais conveniente e mais fácil..."

"Então, de que cerco eles estão falando? Será que o bloqueio causa queda de preços? E como bens de consumo estão fluindo em Gaza apesar do bloqueio?"

"Estas questões não estão sendo levantadas [aqui], na expectativa de uma resposta do Hamas. Elas são dirigidas a todos os simpatizantes do Hamas aqui no Egito, que não vêem nada de errado em acusar seu próprio país de trair a causa palestina e de deixar o indefeso povo palestino morrer de fome com um cerco opressivo em Gaza."

"Se assim é [a vida] em Gaza sob bloqueio, então o povo egípcio, que tem sido queimado pelo fogo dos preços e que ainda pega parte de sua limitada renda para salvar os moradores de Gaza sob cerco, [deve] orar a Alá para ferí-los com [tal] cerco, caso o bloqueio vá causar a queda de preços e permitir que cada cidadão comum possa comprar ovos, carne e aves, assim como fazem os moradores de Gaza."


O repórter dinamarquês Steffen Jensen descreve a mesma fartura e questiona onde está a crise humanitária em Gaza. As fotos contidas nesse post foram retiradas de sua reportagem.

Faixa de Gaza, "o campo de concentração a céu aberto"


Faixa de Gaza


É comum nos dias de hoje ver jornais e emissoras de TV ocidentais se referindo a Faixa de Gaza como um "campo de concentração a céu aberto". Mas jornalistas que tivessem a coragem de fugir do lugar comum e da já obrigatória narrativa vitimista ao noticiar assuntos relacionados aos palestinos esqueceriam a propaganda esquerdista da CNN e do The Guardian e dariam mais importância para os relatos de jornalistas árabes e israelenses.


Um jornalista do diário egípcio Al-Ahram confirmou aquilo que todos os repórteres ocidentais sabem, mas se recusam a revelar: que Gaza não está realmente fechada num cerco e que qualquer opressão sentida pelos palestinos locais é causada pelos outros árabes, e não por Israel.


Crazy Water Park, o parque aquático oficial do 'campo de concentração' de Gaza

(O parque foi interditado pelo Hamas, pois ele permitia que homens e mulheres entrassem em suas piscinas ao mesmo tempo. Alguns meses depois ele foi incendiado por 40 homens mascarados.)


Ashraf Abu al-Houl escreveu ainda: "a visão das mercadorias e dos luxos que enchem as lojas de Gaza espantou-me". Não apenas isso, mas o jornalista também descobriu que a maior parte dos bens pode ser comprada em Gaza a preços muito mais baixos do que no Egito porque em Gaza "a oferta é muito maior que a procura."

Tal como alguns poucos jornalistas ocidentais tiveram coragem de relatar, esse fato levou al-Houl ao reconhecimento de que o limitado embargo israelense a Faixa de Gaza controlada pelo Hamas "é formal ou político, não econ
ômico". Em outras palavras: Israel não está causando uma crise humanitária ou econômica em Gaza.

Há contudo pobreza generalizada em Gaza, mas que é fruto da corrupção, existindo um grande fosso entre "os que têm" e "os que não têm".

Al-Houl entrevistou o activista político Mustafa Ibrahim, que contou que cerca de vinte por cento dos habitantes de Gaza controlam quase toda a riqueza do território, e quase todos eles estão afiliados de perto com o movimento Hamas, que dirige o governo local. Os habitantes ricos de Gaza investem fortemente na indústria do lazer e gastam desordenadamente, ao mesmo tempo que cobram taxas vergonhosamente caras para luxos básicos, como por exemplo frequentar uma praia.

Entre o resto da população, o desemprego atinge aproximadamente os 45%, e esses são os habitantes de Gaza constantemente apresentados pela mídia ocidental como "produtos" da assim chamada "opressão israelense".

A reação mundial a essas imagens transmitidas pela mídia é inundar Gaza com mais ajuda humanitária, que passa pelas mãos dos ricos, acabando por torná-los ainda mais ricos, ao passo que os pobres ficam mais pobres...


As autoridades israelenses têm vezes sem conta aludido a esta situação no passado quando avisavam que não havendo hoje uma crise humanitária em Gaza, a comunidade internacional vai acabar por criar uma ao entregar-se nas mãos da elite corrupta do território.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Refugiados árabes da Palestina... de quem é a culpa?

Ismail Haniyeh, líder do Hamas, mostra um mapa onde Israel é substituído por um fictício estado árabe "palestino"


A guerra de independência de Israel se divide em duas partes: violentos combates começaram horas após a votação nas Nações Unidas aprovando a partilha da Palestina em 29 de novembro de 1947 e duraram até a véspera da evacuação britânica em 14 de maio de 1948. Já o conflito internacional começou no dia 15 de maio (um dia após a criação de Israel), quando cinco exércitos árabes invadiram o estado judeu. As hostilidades continuaram até janeiro de 1949. 

A primeira fase do conflito consistiu, principalmente, em uma guerra de guerrilha. A segunda, em uma guerra convencional. Mais da metade (entre 300.000 e 340.000) dos 600.000 refugiados árabes fugiram antes da evacuação britânica, a maioria no último mês.
Os palestinos fugiram devido a uma grande variedade de circunstâncias e por diversas razões. Os comandantes árabes ordenaram aos não combatentes que saíssem do caminho das manobras militares e ameaçavam retardatários com tratamento dispensado a traidores caso ficassem. Eles ainda exigiam que as aldeias fossem evacuadas a fim de melhorarem seu posicionamento no campo de batalha e prometiam aos residentes que eles voltariam sãos e salvos em questão de dias. 


Em um programa onde conversa com ouvintes, Ibrahim Sarsur, o líder do movimento islâmico, falou sobre os refugiados árabes e, junto com o ouvinte que liga de Gaza, culpa os líderes árabes pelo problema. 
Programa de TV exibido em 30 de abril de 1999, no canal do Fatah, da Autoridade Palestina:




Ouvinte de Gaza: Sr. Ibrahim, dirijo-me a você como um muçulmano. Meu pai e meu avô me disseram que durante a "catástrofe" (o estabelecimento de Israel), o oficial de nosso distrito emitiu uma ordem dizendo que quem ficasse na Palestina e em Majdel (no sul de Israel, perto de Ashkelon) é um traidor, ele é um traidor...


Ibrahim Sarsur: Eu não quero culpar aquele que causou essa situação, mas somos forçados a lidar com essa situação.
Quem deu a ordem os proibindo de ficar lá carrega a culpa por isso nesta vida e na próxima.


Algumas comunidades preferiam fugir a assinar um armistício com os sionistas; nas palavras do prefeito de Jaffa, "eu não me importo com a destruição de Jaffa desde que consigamos a destruição de Tel-Aviv".

-- Agentes do mufti atacaram os judeus com o propósito de provocar hostilidades 
-- Famílias com recursos fugiram do perigo. Quando os inquilinos agrícolas ouviram que os proprietários seriam punidos, ficaram com medo de serem expulsos e se anteciparam abandonando as terras. 
-- Hostilidades mortíferas impediram qualquer planejamento:  a escassez de alimentos e de outros bens de primeira necessidade se espalhou. Serviços como estações de bombeamento de água foram abandonados. --- O medo de pistoleiros árabes se alastrou, assim como rumores de atrocidades dos sionistas.
Em apenas um caso (Lydda), os árabes foram forçados a sair pelas tropas israelenses. A singularidade desse evento merece ênfase. O historiador Efraim Karsh explica acerca de toda a primeira fase da batalha: "Nenhum dos 170.000–180.000 árabes que fugiram dos centros urbanos e somente um punhado dos 130.000–160.000 aldeões que deixaram seus lares, foram forçados a sair pelos judeus".
A liderança palestina desaprovava o retorno da população, vendo nisso o reconhecimento implícito do nascimento do Estado de Israel. A princípio os israelenses estavam dispostos a aceitar o retorno dos deslocados de guerra, mas depois endureceram sua posição a medida que a guerra progredia. O Primeiro Ministro Ben-Gurion explicava seu modo de pensar em 16 de junho de 1948: "Esta será uma guerra de vida ou morte e [os deslocados de guerra] não devem retornar aos lugares abandonados. . .  Nós não começamos a guerra. Eles começaram a guerra. Jaffa começou a guerra contra nós, Haifa começou a guerra contra nós, Beisan começou a guerra contra nós. E eu não quero que eles comecem uma guerra novamente".
Resumindo, explica Karsh, "foram as ações dos líderes árabes que condenaram centenas de milhares de palestinos ao exílio".



Palestine Betrayed (Palestina traida), Efraim Karsh

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Envenenado? Arafat era homossexual e tinha AIDS...



De acordo com a propaganda árabe, Yasser Arafat, o líder "palestino" que nasceu, viveu e estudou no Egito -- além de ter servido no exército do país -- foi vítima de um envenenamento encomendado pelo governo israelense.

Já de acordo com seu médico pessoal, Ashraf al-Kurdi, ele morreu devido a complicações causadas pelo vírus da AIDS. O mesmo foi dito por Ahmad Jibril, seu companheiro e um dos fundadores e líderes da Frente Popular para a Libertação da Palestina -- que disse apenas estar repetindo o que foi dito pelos médicos franceses que cuidaram de Arafat até sua morte. 

"Então foi Israel quem contaminou Arafat com AIDS".
Não se levarmos em conta o que escreveu o tenente-general Ion Pacepa, vice-chefe do serviço de inteligência da Romênia sob ditador comunista Nicolae Ceausescu, e então aliado de Arafat. Em seu livro de memórias ("Red Horizons"), Pacepa relata uma conversa que teve em 1978 com Constantin Munteaunu, um general designado para ensinar a Arafat e a OLP técnicas para enganar os países do ocidente a fim de que estes reconhecessem sua organização terrorista:

 "Eu acabei de ligar para o centro de monitoramento de microfones para falar sobre o 'Fedayee' (nome de guerra de Arafat)", explicou Munteuaunu."

Após a reunião com o camarada ele foi diretamente para a casa de hóspedes para jantar. E naquele mesmo momento o "Fedayee" estava em seu quarto fazendo amor com seu guarda-costas. Aquele que eu sabia ser seu mais novo amante. Ele está brincando de tigre de novo. O oficial [que estava] monitorando os microfones me conectou ao vivo e diretamente com o quarto dele, e seus urros quase estouraram meus tímpanos. Arafat estava rugindo como um tigre e seu amante gritando como uma hiena."
Outra pessoa que traz um relato que segue a mesma linha do de Pacepa é o ex-presidente do Comitê Nacional Democrata, Terry McAuliffe. De acordo com o New York Times, no livro de memórias de McAuliffe

Há uma série de histórias humorísticas salpicadas entre uma pilha de nomes dentro de suas 406 páginas, incluindo [a vez em que] Yasser Arafat, por debaixo da mesa, se esfregava repetidamente nas pernas do senhor McAuliffe durante um jantar em Washington, no ano de 2000.


Associated Press menciona o mesmo relato:

O livro é cheio de revelações dos anos de McAuliffe entre a elite do poder -- recebendo uma supreendente 'massagem' nas pernas do líder palestino Yasser Arafat em um jantar. 
 “What a Party! My Life Among Democrats: Presidents, Candidates, Donors, Activists, Alligators and Other Wild Animals“ -- em português: "Que partido/festa! Minha vida entre os democratas: presidentes, candidatos, doadores, ativistas, crocodilos e outros animais selvagens"




Arafat e o vírus da AIDS


Relato de Ahmed Jibril na TV al-Manar (do Hizballah, Líbano):


Tradução:
Quando Mahmoud Abbas (presidente da Autoridade Palestina) veio a Damascus eu perguntei "o que foi descoberto na investigação médica sobre a morte do irmão Abu Amar [Arafat]?" E uma das pessoas do grupo disse: "Os franceses nos deram o relatório médico e a causa da morte de Arafat foi AIDS" 

Ashraf al-Kurdi, médico pessoal de Arafat:


Tradução:
"Eu pedi para falar com um dos médicos franceses. Eu queria ouvir de suas bocas sobre a sua [de Arafat] condição de saúde, mas eles não me responderam. Quando o presidente Yasser Arafat morreu, eles me mandaram um e-mail/notificação e, de acordo com ela, o presidente Arafat estava hospitalizado lá e seus exames de sangue mostravam que ele sofria com o vírus da AIDS "